O ponto de ônibus mais utilizado pelos turistas na avenida das cataratas não existe

O transporte coletivo urbano e eu

Colado na porta da geladeira estava os horários dos ônibus que passam em frente de casa, Novo Horizonte e Parque Nacional, linha 400 e 401. Nunca tive preocupação e nunca esquentei a cabeça com os horários do transporte para ir ao trabalho. Calculava sempre os minutos que ele gasta ao sair do Parque Nacional ou da Vila Carimã e pegava o ônibus há alguns passos de minha casa, localizada no Jardim Dona Amanda, na Avenida das Cataratas. Privilegiado sou, pois em no máximo 15 minutos chego ao centro, com uma rota simples: O ônibus percorre a avenida, depois a Schimmelpfeng, a JK até finalmente chegar ao TTU para fazer o caminho contrário. Não é difícil nem leva muito tempo.

Dificilmente ele atrasava e dificilmente eu tinha problema com o transporte urbano para ir ao trabalho (se atente para o verbo no passado), o problema nunca foi esse. Quem é inteligente e sempre usou o transporte urbano sabe quase que de cor o horário de sua rota e o seu percurso. Sabe também onde pode ser melhorado, quais os pontos fracos. O usuário inteligente sabe usar o transporte, ou pelo menos sabia.

Voltando a minha rota diária, para retornar à minha casa sempre tive problema, não sei o motivo para isso, mas no horário de pico, que todos saem de seus serviços ou estão indo para a faculdade, é o horário que apresenta menos ônibus disponíveis. Perceberam? Já fiquei mais de 70 minutos esperando uma linha para voltar para casa. Indignante e revoltante.

Avenida das CataratasPontos de ônibus – Somente comento aqui sobre a minha realidade e a peculiaridade do que vivo e convivo. Não posso falar sobre os estados dos pontos de ônibus no Três Lagoas, por exemplo, pois não sei como estão, pq dificilmente ando por aquelas bandas. Mas os da Avenida das Cataratas eu sei muito bem, indo e vindo pelo local há pelo menos 10 anos.

O ponto que uso é “agradável”, feito para ser parecido com o TTU, foi construído juntamente com a ciclovia – uma das únicas de Foz do Iguaçu, em 2007. Junto com o “novo” ponto veio também o recuo para o ônibus pegar os passageiros. Na época a prefeitura revitalizou 3 pontos de ônibus. O próximo a Crystal, no Hotel Dom Pedro e o outro próximo a churrascaria Rafain, na época a promessa era de que todos os pontos na Avenida das Cataratas seguissem o mesmo padrão. Ficou só na promessa. Os outros pontos nem foram trocados e até hoje seguem da mesma forma. Alguns locais nem mesmo apresentam ponto. O que chega a ser REVOLTANTE.

Sim, na avenida das cataratas, onde eu posso afirmar com certeza que centenas de turistas utilizam o sistema de transporte por dia, precisam enfrentar o sol e até mesmo a chuva para pegarem um ônibus par ir para o Aeroporto, Cataratas, Parque das Aves e Argentina.

Vejo todos os dias turistas com malas grandes embarcando e desembarcando neste local, sem nenhum conforto e segurança, a espera de pé na chuva e no sol

Esse ponto de ônibus, onde não existe ponto, é o local informado pelos –PASMEM, cobradores para que os turistas peguem a outra linha internacional que vai para Argentina. Sempre quando eu vejo um cobrador dando informação para o turista descer naquele local e esperar o ônibus no sol e na chuva sinto vergonha alheia de morar em Foz do Iguaçu.  As vezes me dou de intrometido e digo: “Não faça isso, ali não é adequado, pare no ponto anterior e espere”.

Sem falar ainda de outros pontos inexistentes como o utilizado pelos hóspedes do hotel Turrance, por exemplo.

Outras moedas – O iguaçuense é  muito patriota com o dinheiro, já perceberam? Estamos em um local onde há circulação de várias moedas, mas o munícipe não admite. Diferentemente do comércio da Argentina e do Paraguai, que permite o câmbio do Real, Peso ou Guarani, o brasileiro só quer aceitar o Real, sempre. Em casa as três moedas circulam, meu pai é empresário no Paraguai, então tem dias que só temos guaranies e dólares, quer dizer, sobra esse dinheiro para pagar o transporte também. E quando estou de posse de algum dinheiro estrangeiro para usar em Foz, prefiro morrer. Uma vez o cobrador me fez descer no ponto seguinte pois não ia fazer o câmbio da moeda, o que me deixou revoltado. Imagine uma situação assim com um paraguaio ou um argentino que usa o sistema em Foz? Pelo menos as linhas que fazem o pontos turísticos em Foz DEVERIAM ter uma tabela fixada com os valores dos câmbios.

Linha turismo – Alguns dizem que a linha turismo não existe em Foz por causa da pressão das empresas turísticas receptivas, lenda ou não, deveria existir. Descomplicando a vida de milhares de turistas que visitam a cidade.

Já bastavam muitos problemas, eis então que do nada, surge uma empresa de fora que não sabe a realidade dos munícipes e resolve embaralhar a vida de todo mundo. Entre tantos os problemas que já existiam, e que não foram pontuadas ainda neste texto, causa pânico na população.

Este post faz parte de uma blogagem coletiva proposta por um grupo de amigos que estão descontentes com o transporte em Foz, ainda mais depois que o Consórcio Sorriso começou a administrar o coletivo do munícipio.

Outras ações serão realizadas, como a confecção de um documentário que irá mostrar a penosa vida de quem utiliza os serviços do Consórcio Sorriso.

Leia também o texto da jornalista Mariana Serafini: “R$ 2,40 não dá!