O distanciamento do afeto

Em tempos de isolamento, entre uma ilha e outra o que faz a ponte para você? Digo, o que te deixa ainda mais pertinho das pessoas que você ama, nesse momento quando devemos ficar distantes (fisicamente) uns dos outros?

Nesses últimos dias percebi que nunca fui tão próximo da minha família. Nunca cultivei amizades afetuosas de verdade. Tudo em função do trabalho, dos estudos e de alguma desculpa esfarrapada – que de tão esfarrapada nem lembro agora.

O motivo ao certo não sei.

Me refugiei no trabalho e dali não sai nos últimos 10 anos. Fui individualista e egocêntrico. Mas foi dessa forma que consegui lidar com os meus problemas pessoais, como a aceitação própria.

Fiz terapia. Cheguei a tomar remédios. As coisas hoje parecem estar entrando no eixo com o reconhecimento dos meus erros e superação dos meus problemas.

Mas, voltando a minha pergunta inicial: o que tem feito a gente se distanciar das pessoas? A vida corrida? O trabalho ou alguma desculpa esfarrapada que a gente cria, do tipo “Hoje não posso, tenho algum canal para assistir no Youtube“?

Nada deve ser mais importante para nós (seres humanos) que nossas relações de amor com os outros. Nossas construções de pontes.

Nossa comunicação afetiva, nossa verdade.

Nessa enxurrada de links, imagens e recomendaçoes que chegam até a gente todos os dias eu comecei a ouvir o podcast Dilemas.

Delicado. Sensível. Lúcido. Como a maioria das coisas que vem do nordeste.

Bom, e o último “dilema” debatido no programa da Lua Barros e do Pedro Fonseca é sobre o amor em tempos de isolamento. O episódio é delicado, sensível e lúcido (desculpa repetir).

Tudo bem que essa “quarentena” faz a gente olhar para dentro, mas as vezes mesmo assim a gente precisa de um empurrãozinho para tirar nossos dilemas para fora.

Espero criar coragem para voltar a criar laços de amizades mais fortes, me apegar de verdade a minha família e ser mais comprometido comigo mesmo e com o meu futuro. 💌

ANTINEWS

Eu consumo tanta coisa, tanta informação diariamente e sempre penso: “Como isso chega até mim… como me afeta?

Ou ainda: “Como isso afetou outras pessoas… Qual a bagagem que isso carrega e pq devo passar pra frente?

Aí me imaginei escrevendo algo sensível, que saísse lá de dentro e pudesse tocar de alguma forma outras pessoa.

O ANTINEWS não tem a pretensão de ser uma newsletter, mas um texto simples falando sobre a minha bagagem de afeto sobre determinado conteúdo, notícia, fato ou produto.

Em tempos que tudo é Control C + Control V é importante a gente sentar, respirar e sentir conscientemente o que tem feito a gente feliz… o que é conteúdo de relevância.

Seja bem-vindo, ANTINEWS.

Publicado por

Garon Piceli

30 anos, dramaturgo e jornalista com especialização em cinema pelo Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales de Buenos Aires. Pós ecouton em turismo pela Université Paris Sorbonne. Leia meu livro no Wattpad: https://goo.gl/wQi7Mx Contato: garonphn@gmail.com

Um comentário sobre “O distanciamento do afeto”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s