O ensaio da cereja

Esses dias a amiga, funcionária e afilhada de casamento, a Leca, me convidou para tirar umas fotos para o novo momento do seu blog, o Cereja no Ombro. O blog foi relançado hoje (6 de fevereiro) e tá lindão. Vale muito dar uma passadinha lá e ver posts incríveis sobre viagens e também textos mais intimistas e todos bem poéticos.

Escolhemos de locação para as fotos, o Marco das 3 Fronteiras, que também foi remodelado e está todo charmoso.

Foi o meu primeiro ensaio profissional e me sinto muito honrado por ser escolhido e poder fazer parte desse novo momento da Leca.

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Preto e branco co o fundo a Foz do rio Iguaçu no rio Paraná.

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Para essas fotos eu usei uma lente Canon 50mm 1.8 old, ou seja sem foco automático. Ela dá um shape bem vintage nas fotos, e eu achei que super combinou com o estilo da Leca.

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Essa atmosfera chapada com um light hit que aparece não é efeito de Photoshop ou Lightroom, é efeito da própria lente mesmo.

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Essas duas fotos, fizemos em um bosque de eucaliptos próximo a entrada do Marco. Usei outra lente old, uma Sigma 24mm, que permite um campo de visão maior.

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No final, eu já levei a Leca lá para o apê e ela escolheu as fotos. Ficamos bem felizes com o resultado do ensaio, ainda mais, como eu disse, foi o primeiro… E espero que seja o primeiro de muitos.

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Apenas uma noite

Por  Letícia Lichacovski.

As malas já estavam prontas. A mudança seria grande. Deixar a cidade para trás em busca de algo novo sempre é, ao mesmo tempo, excitante e amedrontador. Mas ela estava disposta a viver tal dilema. “Estou pronta”, dizia a si mesma, ora em voz alta, ora mentalmente.

O dia seguinte seria puxado. Horas de voo, mais outras de espera no aeroporto e, novamente, mais um longo tempo no ar. Teria que levantar de madrugada e isso já a deixava cansada. “Acho que o jeito é nem dormir”.

A estratégia funcionaria. Afinal, a noite, teria a tradicional festa de despedida. Com família e amigos reunidos. E ele. Claro, todos eram importantes, mas sempre tem aquele “adeus” mais difícil de dizer. Aquele mais doído para sair da garganta, que rasga.

Dito e feito. O encontro aconteceu. Ela sorria por fora e chorava por dentro. Sentiria saudades. Ele estava lindo, como sempre. Sorridente, brincalhão, com tiradas inteligentes. E, como de costume, a olhava de longe.

A noite seguiu com risadas, alguns choros, muitos abraços e “boa sorte”. Ele lá, ela cá. Vez ou outra numa mesma roda de conversa, apenas com olhares se encontrando. Eles sabiam o que os olhos diziam e isso bastava.

Por fim, a casa ficou vazia. Ou quase. Ele ficou. E isso, pra ela, fazia o ambiente se encher mais do que no começo da festa. Não sabiam como agir. O momento da tão temida despedida chegara.

Sem dizer uma palavra, ele simplesmente a envolveu e o tempo parou. “Achava que isso era apenas fantasia de adolescente”, pensou consigo. Mas, não. Ela realmente perdeu a noção de quantos minutos passaram durante aquele beijo e dos seguintes.

Ambos se entregaram ao momento. Esperaram muito por isso, mas o medo de perder a amizade nunca permitiu que tomassem a atitude. Agora, era o que lhes restava fazer. Antes que ela partisse e deixasse tudo para trás. Antes que ele encontrasse alguém. Antes que aquela noite acabasse.

O tempo voltou a passar. Com isso, a hora de ir. As lágrimas nos olhos tornaram a última imagem dele distorcida. O “adeus” não foi dito na forma convencional. Não foi um “até logo”, “tchau” ou “te vejo em breve”. Ele veio com um toque no rosto e uma voz trêmula. “Eu te amo”, ela falou e entrou no carro.

Não demorou muito para que o celular se manifestasse. Em texto, a resposta que ela não o deixou dizer pessoalmente. Sorriu e chorou ao mesmo tempo. Chegou em casa, olhou as malas e pensou em desistir – agora tinha um motivo.

Ao invés disso, foi ao aeroporto, entrou no avião e partiu. Com um pouco de arrependimento no peito, desembarcou no lugar onde buscaria o seu novo “Feliz para sempre”.

 

Letícia Lichacovski

 

  Letícia Lichacovski – mais conhecida como Lêca – é blogueira no Cereja no Ombro. É uma linda que ama escrever e contar belas e tristes histórias. Um dia eu fui seu confidente literário em um trama de amor e conspiração. Eu gostaria muito que ela publicasse o que escreveu, mas ela é um pouco tímida.