Quanto tempo temos?

“Deus está morto, Marx também e eu não estou me sentindo muito bem”

Era algo parecido com isso. Não sei onde li/vi/ouvi, mas me tocou muito de modo a percorrer toda a minha história. Desde a minha primeira consciência lúdica até o presente momento, onde digito este texto no frente a um monitor de 21 polegadas e um teclado preto, que tomo emprestado do meu trabalho.

Depois de uma longa viagem pelo meu tempo cheguei a uma conclusão do que a frase realmente quer dizer.

O problema não é que Deus está morto ou que foi enterrado. Ou que Marx está morto e enterrado. O problema da frase é o final: “eu não estou me sentindo muito bem”.

Mas eu pergunto para mim mesmo: “Pq o interlocutor não está bem se Deus e Marx estão mortos?”. Ele não deveria estar feliz? A final não é isso que a humanidade quer, se livrar de amarras?

A era que matou Deus e que também está enterrado a racionalidade na verdade não quer liberdade?

A liberdade está aí, e agora o que fazer com ela? Qual é o próximo passo? O que fazer antes do precipício?

Vivemos uma grande liberdade sexual e moral que sempre foi rogada. Porém a inquietude e desconforto parecem presentes em nossas vidas.

Agora a pergunta que não ousa calar: “Quanto tempo temos?”.

Para viver?
Para dar o seguinte passo?
Para sermos felizes?

Uma das características do nosso tempo é fugir dos paradigmas. Mas isso é um grande problema. Não estamos neste mundo para viver de luxo e consequentemente do tédio. Precisamos viver para lembrar do passado e projetar o futuro em um presente muito real.