Qual lado das coisas é o mais bonito?

Ontem assisti Biutiful, um filme que venho arrastando desde 2011, e foi um soco no estômago que eu precisava tomar. Explico…

A cada dia somos mais indiferentes com as outras pessoas. Não sabemos pedir socorro. Não sabemos pedir colo… E nós precisamos demais de um lugar seguro. O colo da mãe, do pai. Mas não sabemos pedir.

A coletividade morreu. A sociedade está desaparecendo. E com ela as relações generosas que tínhamos.

Estamos cada vez mais inseguros, em uma terra distante da nossa. Em um lugar que não nos pertence. Sinto que estamos tão cansados e inseguros de voltar para onde realmente nos sentimos bem que compartilhamos da esperança de algum dia tentar se sentir melhor onde estamos agora. Aqui nesta terra de estranhos tudo é tão complicado, tudo está tão distante…

Sem querer voltar, sem querer regressar à “infantilidade do amor”, ao amor do olhar, do carinho e das sensações.

O que é a morte? Onde vamos estar quando ela chegar? O que devemos falar antes de morrer?

Nada disso importa na verdade se soubermos realmente viver e falar o que sentimos para as pessoas que estão do nosso lado.

Depois do filme, eu chorei muito por uns 5 minutos sem parar, como nunca antes na vida. Chorei de pensar que já matei os meus pais, os meus irmãos, os meus amigos e as pessoas que me rodeiam.

Matei todos com palavras idiotas. Com atitudes imaturas. Matei com a falta de presença. Com a insegurança do adolescente. Com a irracionalidade de um adulto.

Eu aprendi com o filme que a beleza não está nos olhos de quem vê, mas sim no coração de quem sente. Como costumo falar: “Quanto mais simples mais amor”, então quanto mais sensível mais lindo!

O lado da essência. O lado infantil. O lado que deixamos para trás é o mais lindo.

Está na hora de voltar.

Um comentário em “Qual lado das coisas é o mais bonito?

  1. Matamos com palavras idiotas e atitudes estúpidas e muitas vezes nos matamos quando não colocamos pra fora o que deveríamos expor… nos matamos quando não nos permitimos… e nos matamos sim, quando matamos o outro também.
    Coisas da vida, coisas inexplicáveis… mortes incomparáveis… a contradição é a beleza da vida.

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