Não é fácil se aproximar dos medos da infância

A gente vai passando de fases na vida e tudo vai ficando mais maduro no caminho para chegar ao topo.

Há alguns anos eu prometi para mim mesmo que nunca iria tomar cerveja. Por motivos bem íntimos. Porém este final de semana tudo mudou e senti o mundo desabar pela terceira vez em minha história.

Eu me vi desgosto.

“Parece que um caminhão te atropelou”, o Bruno me disse.

E era exatamente isso que tinha acontecido.

O caminhão se chamava trauma. E eu estava na maca chamada consciência.

Eu decidi abrir a caixa desse caminhão e deixar ele passar por cima de mim. Pq quem sabe assim ele vai embora.

De vez.

Foi sábado que isso aconteceu. Tomamos uma Original Antártica.

Não foi ruim, como me falaram que seria pela primeira vez.

Mas não era com o gosto que eu estava me preocupando. Nem se iria ficar bêbado.

Estava preocupado com o Garon que fez a promessa e estava quebrando naquele momento, com os anos me guardando e pensando nos motivos que me distanciaram dela. E nos quantos “Pq vc não toma uma com a gente?” que eu recusei com um “Obrigado. Eu não tomo cerveja”.

Estava preocupado com a minha credibilidade, para dizer bem a real.

Mas foi bom.

Foi melhor que uma conversa com o analista para tirar tudo para fora.

Principalmente pq quem estava ali na minha frente, me incentivando a deixar os traumas para trás, era uma das pessoas mais fantásticas que já conheci.

Não é fácil se aproximar dos medos de infância. Mas ao chegar na fase adulta da vida, a percepção que temos do mundo é tão diferente daquilo que imaginávamos.

Tomar aquela cerveja significou bastante para mim. Continuo achando a tinker bell fofa, por exemplo.

3 comentários em “Não é fácil se aproximar dos medos da infância

  1. Sei bem o que você sentiu. É como se uma parte nossa se quebrasse. Uma parte dos nossos valores esmorecesse. Mas a gente muda mesmo com o tempo. Muda pra valer. E os nossos conceitos acompanham essa transformação. Antes eu não vestia rosa. Hoje, olha pra mim de vestido florido!

    A gente se refaz com as novas atitudes. Um brinde à isso!

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  2. Quando contamos a nossa história, seja para alguém seja para nós mesmos, sempre filtramos os fatos de acordo com uma casuística linear, como se na vida houvesse simplesmente um único motivo para os mais diversificados efeitos (reações) que possamos vir a sentir e interpretar.

    Assim o fazemos pois nossa consciência opera de acordo com o princípio da realidade, da lei da gravidade, da lógica e dos métodos de conhecimento mais ortodoxos da ciência, caso contrário ainda estaríamos rodando rodas quadradas.

    Independente do teor ou da qualidade emocional que queiramos expor ao mundo e principalmente a nós mesmos, o mais importante no fim é o presente momento, o aqui e agora, é enfim a única coisa que podemos mudar, as nossas tentativas em relação a mudar o passado não passam de distorções, reminiscências daquilo que realmente experimentamos o que por sua vez nos deixa a opção de ressignificar traumas, vivências e sentimentos desconfortáveis.

    Dentre as mais doces e delirantes ilusões humanas, a percepção e crença no controle sobre a própria vida ainda é o que influencia a todos nós nas nossas maluquices e esquisitices e o que nos torna o que somos: únicos.

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  3. Cara, muito fera sua análise de um sentimento que pega todo mundo haha.
    Há uma linha bem tênue entre mudar de ideia de forma consciente e desistir da ideia. Nós, no fundo, sempre sabemos o que fazemos mas e se os outros pensarem que a gente vacilou? Será que a gente tem que mesmo explicar o porque de fazermos as coisas? haha. No final, o que importa é que você tomou a cerveja e vai poder escolher se toma ou não na próxima vez, só vai ser tranquilo se continuar com os amigos certos.

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