Somos bom o suficiente?

É mais fácil falar isso: “Não espere. Faça alguma coisa agora antes que seja tarde demais” ouvindo uma música bem animada (como estou agora), quando se está bem motivado. Mas, ninguém nos vê quando estamos passando por momentos difíceis, quando não queremos sair da cama, porque às vezes o mundo parece desabar na nossa cabeça, ou no momento em que a solidão corrói o nosso coração, mesmo quando estamos cercados de bons amigos.

Bom, eu sempre gosto de ilustrar meus textos e exemplos e vou tomar a liberdade de fazer isso aqui, isso pode tornar as histórias reais.

Esses dias eu chamei uma amiga para sair…tirar umas fotos com outro amigo fotógrafo. Uma querida que eu admiro muito, tanto como amiga quanto profissional de fotografia.

Eu ouvi:

Não estou bem. Não me acho boa o suficiente.

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Depois desse vídeo você dará mais atenção à fotografia de um filme

Se tem algo que realmente nos faz prender a atenção no cinema é a fotografia.

O filme pode apresentar um falho roteiro, como no caso de A Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011); ou não ter diálogos, como em Gravidade (Alfonso Cuarón, 2015); pode até ser um filme com uma história fraca como Queime depois de ler (Joel and Ethan Coen, 2008); ou ser aquele filme que ficamos completamente deslocados com a história, como Birdman (Alejandro González Iñarritu, 2014). Porém, em todos esses casos, se a fotografia for incrível saímos da sala do cinema deslumbrados com as imagens que nos foi apresentado.

Todos os filmes que eu citei acima foram fotografados pelo mexicano Emmanuel Lubezki, um dos principais profissionais de Hollywood e um dos mais concorridos. Ele foi responsável também pela fotografia incrível de The Revenant (se você já assistiu esse filme, percebeu que a câmera não foca na pessoa que está falando e sim na que está ouvindo. É um ângulo pouco explorado pelos  fotógrafos).

O usuário do Vimeo, Jorge Luengo Ruiz, fez um trabalho incrível ao condensar em um único vídeo as principais tomadas cinematográficas do olhar de Emmanuel Lubezki.

(recomendado assistir em HD)

Tribute to Emmanuel Lubezki from Jorge Luengo Ruiz on Vimeo.

Lubezki não segue muito a regra da proporcionalidade à risca. Ele cria uma linguagem para cada filme. Ele abusa da angulagem e até mesmo colca a câmera de ponta cabeça criando um mundo cinematográfico fascinante! <3

O céu estava lindo nesse dia

Acordei com a tia me chacoalhando. Olhei para o céu e perguntei que horas eram. Ela me respondeu que era tarde. Mas aparentemente os primeiros raios do Sol ainda nem estavam aparecendo.

– Mas tia, nem amanheceu ainda! – Disse.

– Não importa, precisamos ir embora.

Não consegui nem me despedir do menino que estava jogado no chão de forma confortável. Peguei minhas coisas e chamei o Mimo, que olhou-me fitando, como se ele quisesse me perguntar algo do tipo:

– Qual o motivo de me incomodar nessas horas?

– Não sei. Precisamos ir embora – Respondi.

Andamos algumas quadras até chegarmos no Polaca’s Bar. A tia foi lá para dentro e fiquei na varanda. Dali dava para ver um nascer do sol fantástico – Esses de capa de caderno de ensino médio. Fiquei sentadinho conversando com o Mimo um pouco.

– Será que vamos poder voltar para brincar com o menino? – Perguntei para ele que apenas rosnou e lambeu a patinha. Talvez isso tenha sido um sim.

Quando voltei para dentro do bar vi um monte de gente se amontoando na frente de uma TV velha e empoeirada jogada em cima de uma mesa igualmente velha e empoeirada.

Nem liguei para a TV, pois quando não está passando desenhos divertidos de manhã só tem programas chatos de adultos. Mas reparei que um homem, vestido de roupa de padre, fazia alguma declaração importante. Mas achei estranho, pois quando Padre pára para falar algo, principalmente na TV, ninguém presta atenção.

– Tia, qual o motivo de tanta gente aglomerada na frente da TV?

– Não te interessa, menino…. Vá lá fora brincar. Isso não é assunto para criança!

Após meia hora, as pessoas desgrudaram o olho da tela brilhante, que parecia sugar suas almas, e se dispersaram comentando que não acreditavam no que acabaram de ouvir. Chamei o Mimo e fui para debaixo de uma mesa dormir mais um pouco.

O céu estava lindo nesse dia.

Em 2014 seja mais off-line

2013 foi um ano de lições. Foi um tempo de refletir, de se aproximar de mim mesmo e das pessoas que amo. Separei uma listinha com as 7 principais atitudes que aprendi e quero seguir em 2014.  Bóra viver um mundo mais off-line?

1 – Desapegue dos bens materiais – Uma coisa que aprendi em 2013 foi praticar o desapego dos bens materiais. Eu entendi que não vivo para eles, e que o material apenas nos ajuda a viver melhor.

2 – Pense mais em você – No final deste ano dediquei mais tempo as coisas que eu gosto. Como a leitura e a escrita, por exemplo. No mês de novembro reduzi o ritmo do trabalho e dediquei os meus tempos de almoço a leitura. Resultado: Li 3 livros. E a minha performance no trabalho melhorou.

3 – Diminua o ritmo – Hoje o mercado exige que você faça muitas coisas ao mesmo tempo. A nossa geração é assim… Mas se esforçar apenas em uma tarefa vai fazer você uma pessoa mais dedicada e esforçada, com um resultado incrivelmente melhor.

4 – Abandone um pouco o talk do Face – A internet quase me tornou uma pessoa fria em 2013. Mas voltei, respirei e foi o ano decisivo da minha vida. Mantenho as contas no Facebook e no Twitter (não pretendo desativar) mas diminui as potagens e me concentrei mais no mundo off-line. Que é o que realmente importa.

5 – Não se preocupe em deixar um legado digital – Às vezes queremos compartilhar tudo o que lemos/vemos na internet o tempo todo. Isso é extremamente chato para quem nos segue e para nós mesmos! Leia e veja tudo, mas guarde um pouco para você. Não publique tantas fotos no Facebook, salve-as em uma pasta no seu desktop.

6 – Seja especialista – Com a internet a gente acha que é fácil encontrar uma informação e não nos dedicamos a conhecer a fundo um tema específico. Procure informações fora da internet. Saiba que nem sempre o Google sabe de tudo.

7 – Ligue e marque encontros – Pelo amor de DEUS: saia da internet, pegue o celular e ligue para os amigos antigos. Certamente eles não estarão nas redes sociais. E lembrem-se, nem sempre as pessoas no topo do talk são os amigos mais íntimos e verdadeiros.

Não é fácil se aproximar dos medos da infância

A gente vai passando de fases na vida e tudo vai ficando mais maduro no caminho para chegar ao topo.

Há alguns anos eu prometi para mim mesmo que nunca iria tomar cerveja. Por motivos bem íntimos. Porém este final de semana tudo mudou e senti o mundo desabar pela terceira vez em minha história.

Eu me vi desgosto.

“Parece que um caminhão te atropelou”, o Bruno me disse.

E era exatamente isso que tinha acontecido.

O caminhão se chamava trauma. E eu estava na maca chamada consciência.

Eu decidi abrir a caixa desse caminhão e deixar ele passar por cima de mim. Pq quem sabe assim ele vai embora.

De vez.

Foi sábado que isso aconteceu. Tomamos uma Original Antártica.

Não foi ruim, como me falaram que seria pela primeira vez.

Mas não era com o gosto que eu estava me preocupando. Nem se iria ficar bêbado.

Estava preocupado com o Garon que fez a promessa e estava quebrando naquele momento, com os anos me guardando e pensando nos motivos que me distanciaram dela. E nos quantos “Pq vc não toma uma com a gente?” que eu recusei com um “Obrigado. Eu não tomo cerveja”.

Estava preocupado com a minha credibilidade, para dizer bem a real.

Mas foi bom.

Foi melhor que uma conversa com o analista para tirar tudo para fora.

Principalmente pq quem estava ali na minha frente, me incentivando a deixar os traumas para trás, era uma das pessoas mais fantásticas que já conheci.

Não é fácil se aproximar dos medos de infância. Mas ao chegar na fase adulta da vida, a percepção que temos do mundo é tão diferente daquilo que imaginávamos.

Tomar aquela cerveja significou bastante para mim. Continuo achando a tinker bell fofa, por exemplo.

Olho para cima e vejo estrelas

O vento sopra a oeste, o tremular das bandeiras quebra o silêncio porque as ondas já não fazem barulho quando chegam no rochedo, e o som dos animais não tem sentido algum.

As nuvens no alto se aproximam rapidamente, a lua está no lugar de sempre e o sol ainda não se pôs.

Pensamentos e mais pensamentos invadem a minha mente como desenhos rupestres habitam as cavernas antigas. A flor reluz e quase se confunde com o tom avermelhado do céu.

É o tempo, é a morte, é ávida em uma só pétala. São os sonhos nas folhas. É o universo nas raízes. O som nasce… é um grilo, um sapo, um lobo, são os pequenos insetos na luminária de nafta.

Agora volto a escutar – como nunca – o mar quebrando e tornando migalhas as pedras. É o roçar do vento nas arvores. É a arvore cantando. São os animais falando. São os habitantes murmurando uma paz.

Respiro e sinto o poder exalando do chão, o poder que é canalizado para o bem, o poder que sustenta o universo, é esse o poder que mantém a tranquilidade…

A tranquilidade das crianças correndo sem perigo. É o amor dos casais. É a alegria dos jovens. É o sustento dos mais velhos. É o começo e o final de todas as coisas, o combustível das riquezas, a poesia dos poetas, o algo misterioso dos ferreiros, o segredo dos carpinteiros, o sexto sentido das mães, o alívio dos desesperados. É a paixão que une as famílias!

Texto originalmente escrito em abril de 2008

Faltam quantas horas?

Terminou a última tragada. Jogou o cigarro pela janela do apartamento e voltou para a cama, nu. Cruzou os braços durante um minuto depois pegou a carteira de cigarro na prateleira, a frente da cama. Acendeu, mas não colocou na boca… Ficou segurando nas pontas dos dedos.

“Pensando bem a gente não precisa dessas cerimônias todas, não é mesmo?”, me disse.

Fiquei um pouco tonto com o cheiro do cigarro e respondi com outra pergunta: “Quê… Cerimônias?”.

Na verdade não procurava pergunta para esta resposta. Virei para o lado e fechei os olhos…

“Olha para mim, bem no fundo dos olhos. Mostra para mim o caminho certo. É pedir muito?”, pensei.

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Acordei com medo

Pela primeira vez na minha história de vida, acordei e tive medo do presente.

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Sempre fui uma pessoa muito desapegada e comprometida. Mas hoje eu acordei e tive medo de como poderia ser o dia. E como seria mais fácil se nada disso estivesse acontecendo neste momento em minha vida. Mas não é sobre facilidades que estamos lidando. A vida é mesmo desesperadora, não é mesmo?

É idiota mesmo, ela sabe ser complicada.

Esconderijo

Ela admira aquela piscina com um olhar penetrante. O vento gelado corta a face rosada enquanto as crianças correm em sua volta. As horas passam depressa.

Mas ela só espera o alguém que está para chegar. Um outro diferente daquele que estaria por vir.

Procura apenas um abrigo, um cobertor para se esconder. Uma lanterna para fazer companhia.

– Talvez assim, com as luzes acesas, eu possa melhorar.

Mas ela não sai do esconderijo. Atravessa oceanos, mas não consegue mais sentir o que já sentiu algum dia.

Talvez ela esteja errada, talvez ela tenha dito que está errada.

– Eu preciso ascender essas luzes.

Mas ela sabe que já não era mais a mesma pessoa. Em uma mão um cigarro para acalmar os ânimos, na outra ânimos para aguentar o sufocante calor do amor, incendiando o coração até sair com a fumaça pela boca.

No rosto, olhos profundos de quem nunca saiu de si. Um íntimo gelado. No peito uma bandeira da amargura.

As crianças ainda correm a beira da piscina. A camiseta YSL está amassada. O cabelo cheira fumaça do cigarro que só queima… queima… queima…