Esconderijo

Ela admira aquela piscina com um olhar penetrante. O vento gelado corta a face rosada enquanto as crianças correm em sua volta. As horas passam depressa.

Mas ela só espera o alguém que está para chegar. Um outro diferente daquele que estaria por vir.

Procura apenas um abrigo, um cobertor para se esconder. Uma lanterna para fazer companhia.

– Talvez assim, com as luzes acesas, eu possa melhorar.

Mas ela não sai do esconderijo. Atravessa oceanos, mas não consegue mais sentir o que já sentiu algum dia.

Talvez ela esteja errada, talvez ela tenha dito que está errada.

– Eu preciso ascender essas luzes.

Mas ela sabe que já não era mais a mesma pessoa. Em uma mão um cigarro para acalmar os ânimos, na outra ânimos para aguentar o sufocante calor do amor, incendiando o coração até sair com a fumaça pela boca.

No rosto, olhos profundos de quem nunca saiu de si. Um íntimo gelado. No peito uma bandeira da amargura.

As crianças ainda correm a beira da piscina. A camiseta YSL está amassada. O cabelo cheira fumaça do cigarro que só queima… queima… queima…

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