Assistindo Face Off (aquele programa de maquiagens profissionais e efeitos especiais que passa no canal SyFy) me deparo com uma situação em que fiquei refletindo horas até tomar coragem de escrever este texto.

Em um desafio, os participantes do programa deveriam criar um personagem de acordo com um objeto considerado “amaldiçoado”.

Uma participante em especial chamou a minha atenção. Além de criar a maquiagem ela fez um artefato para sua composição.

Em algum momento do programa ela solta um:

Preciso me desafiar. Se não for agora, quando?

De acordo com a própria participante, seria um momento especial. Ela daria um passo a mais em sua jornada dentro do programa. Estava se desafiando a fazer algo especial diferente de tudo o que teria feito até agora.

A maquiagem dela então foi à apreciação. Ela estava feliz, pois era algo que aparentemente estava orgulhosa para mostrar. Porém, os jurados foram unanimes:

O que foi que você fez… Além de não entendermos, isso não fez sentindo algum.

Os jurados reprovaram a maquiagem dessa participante e a fala de um me fez refletir. Foi algo mais ou menos assim:

Engraçado que em todo o processo de confecção, ninguém te disse que isso não poderia funcionar? A sua equipe deixou você continuar com algo que completamente feio. E além disso, você estava orgulhosa em entregar isso? O que nos deixa ainda mais preocupados com o seu senso de falta de noção.

Ao observar esse fato fiquei realmente preocupado, pois os jurados falaram isso conhecendo os últimos trabalhos da participante, que já havia passado em todas as provas anteriores.

A maquiagem e os adereços que a participante realizou estava bonito, mas o conjunto da obra realmente não estava funcionando  – e estava bem nítido até para os mais leigos, como eu.

Mas a questão que quero chegar é: Quando estivermos errando, sem muita noção do que estamos fazendo, achando que as coisas vão dar certo, mesmo que elas já estejam caindo aos pedaços, quem ao nosso lado vai falar que está tudo horroroso? Quem vai nos ajudar a ver por outro ângulo?

Pois, se alguém em algum momento tivesse falado:

Vamos reconsiderar esses seus adereços? Parece que isso não está funcionando.

Ou seja, se alguém fosse verdadeiro em algum momento, talvez a participante do Face Off teria permanecido e não tivesse sido constrangida a esse ponto.

Se alguém tivesse me falado: Olha, você tá meio gordinho. Talvez eu teria reconsiderado a ter hábitos de vida mais saudáveis. Ou: Cuidado com o que você escreveu no Face. Você já se colocou no papel dessa pessoa? Talvez eu não tivesse ofendido alguma minoria.

Parece que nós não estamos aqui para ajudar alguém ou para receber ajuda. O que tenho observado é que as pessoas querem mesmo é o famoso “tocar o foda-se e quanto mais pior, melhor”.

Não temos esse senso comunitário de ajuda e de crescimento. Não é nem medo e vergonha de ver o próximo crescer. É falta de necessidade e empatia mesmo que está deixando o mundo cada vez mais individualista.

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