Saúde em Foz do Iguaçu, minha nano experiência

Quando meu corpo resolveu ficar ruim ele logo deu uma dica: dores de garganta e cabeça. Tudo bem, fui a farmácia, tomei um daqueles remédios para dor muscular e fui tomar um chá em casa. Mas no outro dia a garganta amanheceu pior que uma couve-flor, e pude contar todas as minhas articulações. Em um caso semelhante uma pessoa da classe média alta corre para o médico particular, aceito pelo plano de saúde, já a da classe média corre para o hospital particular a procura de um médico especialista. O meu caso corri mesmo é para o Sistema Único de Saúde (SUS).

5 horas
– Foi o tempo que levei para ser atendido, e parece ser o tempo médio de atendimento, segundo conversas que tive com as pessoas que também buscavam atenção médica. Às 10h do dia 29/05 chegamos (Eu, minha mãe e minha irmã) ao Pronto Atendimento do Morumbi, preenchemos a ficha com as atendentes, depois pediram para aguardar, pois fariam a minha triagem para avaliar pressão e temperatura.

Enquanto não me chamavam eu e minha mãe atentos, detalhistas e críticos que somos começamos a avaliar o sistema que estávamos inclusos. As construção da Unidade não era antiga, foi inaugurada nos primeiros anos do primeiro mandato do prefeito Mac Donald, inaugurada não, melhor: reformada.

Pontos positivos: uma recepção grande; clarabóia – permite uma iluminação natural boa, sistema informatizado – pelo menos é o que parece, pois os computadores estavam ali, mas minha ficha foi feita a mão pela recepcionista; bancos – não são todos os lugares públicos em Foz do Iguaçu que tem a honra da graça de um banco para o munícipe esperar ser atendido; água – mesmo sem ter copos descartáveis quem leva um na bolsa pode usufruir do líquido.

Pontos negativos: Pouca ventilação, e as portas que ficavam abertas eram constantemente fechadas pelas recepcionistas. Mesmo com a clarabóia o lugar estava escuro e as luzes acesas, as portas de vidro, se não estivessem pintadas de verde, poderiam ser grandes aliadas para um local mais vivo. Os bancos não são de um material muito higienico, ficando marcadas quando desgastadas. Ao lado da recepção havia um “beco” – que preferi ficar pois apresentava ser mais arejado, mas o local não era nada convidativo, pois dava de cara com o lixo, não posso afirmar que seja o lixo hospitalar, mas as caixas de lixo hospitalar estavam à mostra. Como ponto negativo cito também as recepcionistas e todos os funcionários da Unidade que com muito desprezo nos atenderam, mas sem contar o médico que foi muito prestativo, todavia que merece uma descrição mais profunda sobre o seu “pré-atendimento”. O local não parecia ser limpo há dias, porém eu vi duas zeladoras usando vestimentas não apropriadas – chinelo de dedo, em vez de botas de plástico cano alto, e saia – o correto seria calça para proteger as pernas – o que dá a dica que não estavam realizando suas atividades.

Após 1hora e 30min de espera para a triagem anunciaram: “Garon de Souza” lá fui eu, para um lugar que mais parecia uma “ante-sala”, que foi feita as pressas em um estado marcial, fabricada de divisória. A enfermeira me olhou, olhei para ela e captei a mensagem, teria que colocar o termômetro e tirar uma blusa. Ok, ok… triagem realizada. No termômetro 37,8º.

Após isso, eu sem conseguir falar uma só palavra, vendo o mundo girar e tudo mais, fui ver um lugar confortável para eu poder esperar o médico. Agora no relógio: 11h30. “Ótimo, até ao meio-dia já estarei em casa para almoçar”, pensei. Mas que nada, eu não poderia esperar por essa…

Fechado para o almoço – Nem os bons comerciantes fecham para o almoço, mas aqui não é um comércio, né? E sim, uma Unidade de Saúde, pode esperar para ser atendido, tranquilo! ((NOT)). Ficamos sabendo que os médicos trocariam de turno e que teriamos que esperar por outro que chegaria depois do almoço. Pois bem, eu que não aguentava ficar sentado nem de pé, deitei em um banco ali no “bequinho”, para aproveitar o sol e ver se melhorava.

A consulta – Aconteceu às 15h, mas me chamaram às 14h30 junto com um grupo de pacientes. Fomos para um lugar mais arejado e claro que o hall de entrada, porém menor. Bom, a enfermeira que nos chamou garantiu que o médico estava ali dentro da sala e disse que ele nos chamaria, ok! Para que duvidar, né? 5 minutos depois, nada de nos chamar. Mas um fato que chamou atenção dos pacientes que estavam sentados diante do consultório: Uma elegante mulher bateu na porta da sala e nos perguntou: “Ele está aqui?”, respondemos afirmativos, pois foi isso que nos informaram. Voltou a bater na porta , abriu e enfim entrou. Lá dentro barulhos estranhos, 15 minutos depois: ainda barulhos estranhos. E nós, pacientes, não entendendo nada. Barulhos de chaves, barulhos de chaves, enfim a porta se abre, e a mulher muito sem graça sai. No intervalo que ela ficou lá dentro perguntamos para a enfermeira quem seria aquela mulher que entrou no consultório, a enfermeira nos respondeu que era a mulher do médico, ficamos desconfiados, “Em horário de expediente o médico brigando com a mulher, e pode isso?” Depois à primeira mulher a ser consultada o Dr. pediu desculpas pelo inconveniente e disse que não queria comentar o caso, a paciente perguntou para ele se e mulher era sua mulher e ele negativou. Esse ato me fez concluir onde chegou a saúde de Foz do Iguaçu, se até a amante do médico o procura para brigar no consultório da Unidade de Saúde do SUS.

Então, após quase cinco horas analisando – e passando mal, fui atendido (consulta médica) o médico fez lá sua receita e disse que os remédios seriam disponibilizados ali mesmo. ÓTIMO! Sai do consultório e fui procurar a farmácia do posto, não me assustei porque não fiquei indignado quando encontrei a farmácia fechada, “trocaram de turno agora terá que esperar o outro rapaz chegar”, nos explicaram. Não perdemos tempo em esperar o atendente atrasado, fomos em uma farmácia particular.

Eu bem sei que a saúde pública sempre fui assim, sem higiene nos corredores, sem vida nas paredes – e nos atendentes. Mas fico mais indignado com um executivo que diz estar trabalhando para a melhor saúde do país. E que não consegue humanizar os locais. Uma boa dica que meu pai disse e eu achei ótimo: “Porque não colocam um documentário sobre saúde na tv para os pacientes assistirem?”, pode parecer um comentário pequeno e sem importância, mas é bem isso mesmo. Pelo menos as minhas cinco horas não seria tão desagradável, mas não só isso. É necessário tratar o humano com o respeito que o mesmo exige.

Não é pedir muito – Um lugar mais arejado, mais limpo, com rotas de trabalho definidos, penalidades no atendimento, capacitação profissional, uniformes para os servidores – área de saúde é fundamental. Ouvir os profissionais que estão atuando no local também seria ótimo porque só eles sabem das necessidades 24h.

No título, “nano experiência”, quis manifestar que isso foi um “pouquinho” do que acontece diariamente, o que eu pude sentir e ver apenas 5 horas. Fiquei revoltado, mas uma revolta de poder ajudar em algo.

Enfim, foi desgastante psicologicamente principalmente por saber que o sistema não consegue mudança, não há atitude do governo para que isso se resolva. Milhares e milhares de pessoas passam mal por dia e não encontram um lugar público decente em Foz do Iguaçu para serem atendidas. São pessoas simples, sem voz ativa, elas reclamam sim, mas não são atendidas. Não queremos luxo, queremos dignidade. Entenda!

6 comentários em “Saúde em Foz do Iguaçu, minha nano experiência

  1. Minha experiência lá foi parecida, confirmo as características do local. Porém, acho que tive sorte já que meu atendimento durou umas quatro horas, “apenas”.

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  2. Sabe que nesse ponto, eu acho mesmo que a saúde deveria ser “privatizada”?
    Não digo que a OS seja a solução, mas uma empresa especializada e que possa ser responsabilizada, e que não tenha seus funcionários defendidos por nada além da CLT seria muito mais eficiente do que esses funcionários que são praticamente caricaturas animadas.
    Eu mesmo passei um perrengue quando contrai a Dengue. Não achava uma unidade de saúde perto da minha casa que estivesse atendendo, mas também não posso negar que a saúde de Foz já esteve melhor lá pelos idos de 2006.

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  3. Concordo que a saúde seja privatizada assim provavelmente funcionaria muito melhor… Graças a Deus tivemos um bom atendimento … minha mãe quebrou o braço e encaminhamos pra lá e até tivemos um ótimo atendimento… Há! Mais também foi graças a pressão que fizemos nos médicos e enfermeiras… e mostrando que entendíamos do assunto com a minha mãe… daí acho que tivemos um previlégio…. mais o engraçado é que falta gestão na saúde… dinheiro até tem… mas falta gestão e humanidade…. infelismente… casos como o seu Garon acontecem demais todos os dias.. o que devemos fazer é denunciar pra ver se melhora…

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  4. Lamentável saber a “quantas anda” alguns sistemas essenciais, como a saúde, em Foz do Iguaçu. E pensar que foi um dos poucos destaques do mandado do Paulo. Felizmente existe a liberdade de expressão, para relatar esses fatos e, quem sabe, algo poderá ser feito.

    Parabéns pelo texto, Garon!

    Abraços!

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  5. Exatamente Garon, td o que eu passei tbm!
    Minha febre beirando os 40º ….!
    Incrível, mas é a realidade, e Foz do Iguaçu até que bem organizada, perante à grandes cidades como Rio e Sao Paulo, que nem vagas para novos pacientes tem!
    é uma falta de respeito com todos da população em si!
    Abraços, e digo, ótimo post meu caro!

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  6. Espero q tenha melhorado… eu porém não passei mal e nem adoeci porém frequento o S.U.S. todo mês pois temho q ir buscar receitas médicas para o tratamento de epilepcia.
    Tenho acordar as 6 da manhã pra garantir o meu atendimento no posto de saúde, depois retorno pra minha casa e só vou ser atendido pela tarde por volta da 2:30 PM …..em seguida com as receitas em mãos pego uma fila montro no S.U.S. da Av. Paraná onde c localiza a farmacia e com sorte consigo pegar meu medicamento, isso não estiver acabado….
    A falta de remédios controlados na farmácia do S.U.S. é uma coisa praticamente normal….imaginem vcs oq acontece quando um epiléptico não toma seu medicamento?

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