Quem já leu Bauman entende o que a expressão “Mundo Líquido Moderno” quer dizer, para quem não conhece nada deste autor, segue a minha dica: leia “Amor Líquido” ou “44 Cartas do Mundo Líquido Moderno”. Bauman usa a palavra “líquido” para expressar como a sociedade pós-moderna está diluída em suas prioridades.

Sempre fazendo várias críticas ao mundo pós moderno, relata que é comum louvar ou acusar as inovações tecnológicas por estarem na origem das revoluções culturais, porém as inovações “conseguem no máximo desencadeá-las, oferecendo um elo que faltava numa cadeia completa de elementos necessários para deslocar a transformação nos costumes e estilos de vida existentes”. Mas para alguns casos – a burrice – Bauman esquece de citar que isso é apenas uma variante.

Atualmente há tanta transformação que é difícil acompanhá-las e saber o verdadeiro significado de cada uma.

É tudo tão novo, que a superficialidade de uma pequena busca no Google parece solucionar as dúvidas e torna qualquer um especialista em qualquer coisa.

Há tanta informação que a busca por estar antenado no novo é realmente motivador para as novas gerações, ‘antenadas’ e ‘conectadas’ com tudo.

Mas é o que parece estar diluindo a vida das pessoas que querem estar atentas as novidades, e tornando tudo muito líquido. E alguns atos que a geração passada nos deixou de herança vão acabar sumindo, como o protesto físico, onde as pessoas se unem em um determinado ambiente em favor de algo em comum, por exemplo.

O motivo desta pequena introdução é sobre um fato que aconteceu no feriado desta semana, onde aproximadamente 50 pessoas de Foz do Iguaçu se fantasiaram de Zombies e deflagraram um flash mob no Parque Nacional do Iguaçu.

Tudo por diversão, nada mais.

A crítica a se fazer é: Além da diversão, qual o motivo?

Parece estar tudo muito líquido mesmo. Parece que se reunir de morto-vivo é mais interessante do que protestar contra algo que pode transformar a vida de muitas pessoas.

Acompanho há meses, a luta de muita gente que separadas lutam contra a falta de estrutura do sistema municipal de transporte coletivo, por exemplo. E que planejam e gastam energias há favor desta causa, mas parecem gritar no escuro.

No Facebook do Zombie Walk, mais de 200 pessoas confirmaram a presença no evento do feriado, e outras centenas foram convidadas.

Em um grupo de protesto no Facebook, desde maio existe a conversa de uma mobilização, mas a juventude parece não estar interessada. Houve até um protesto, mas com a presença de uma dúzia de estudantes secundaristas.

E se os jovens estão interessados em fazer nada, ou saírem pintados na rua feitos Zombies, quem os fará mudar de ideia?

A cultura?

Acontece que a elite cultural, responsável talvez por este tipo de informação está preocupada demais em consumir cultura (como os participantes do flahsmob se defendem) para ter tempo de se ocupar da missão de fazer proselitismo e converter as pessoas.

Hoje, a cultura está virando uma espécie de seção da loja de departamentos, onde você consume mais do que precisa e consume sem pensar se aquilo te faz bem ou não.

“A cultura em nosso mundo moderno líquido não tem “povo” para “cultivar”, tem clientes para seduzir”.

A nossa tarefa – de pessoas lúcidas, é cuidar de sobreviver de modo permanente.

Não deixe de ler:

Bauman, Zygmunt 1925 – 44 Cartas do mundo líquido moderno; tradução Vera Pereira – Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
Poucos eventos escapam ao olhar atento de Bauman. Surpreende a capacidade que ele tem de descobrir significados sob atos aparentemente simples – uma chamada ao celular, a exposição de uma foto no Facebook, um outdoor, a lista de gastos do cartão de crédito. Todos estes fatos que parecem casuais e desconectados se unem para reforçar a aflição do homem no mundo líquido: um indivíduo em busca de sua identidade.

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