Deus não está sendo sensato contando os segundos quando estamos juntos

Saindo do apartamento, a primeira coisa que fez foi segurar a minha mão esquerda. Encaixando-a perfeitamente. Deu dois passos e olhou para o céu:

“Olha essa Lua…”.

Ela estava linda mesmo. Pousada entre o horizonte e o as nuvens, a Lua minguante nos observava. “Há quanto tempo eu não parava para essa contemplação…”, pensei. Acho que desde janeiro e já é verão de novo.

Abracei ele com um carinho bem fraternal, e ficamos ali paradinhos por minutos que poderiam ser séculos se quiséssemos. Acontece que já passava da meia noite e eu precisava mesmo ir para casa.

Na sacada, avançamos um passo. Larguei-o para desligar a luz. “O céu fica mais bonito quando tem apagão…”, disse ele. Concordei e as estrela ficaram ainda mais acesas. Dava para ver algumas constelações do leste do céu. Só tínhamos um terço do firmamento para nós, mas era o que precisávamos naquele momento.

Encostou a cabeça no meu ombro, deu alguns suspiros admirando o céu e disse “Vamos?”. “Não quero nunca sair daqui…”, imaginei.

Depois de mergulhar na Lua e nas estrelas descemos a escada, de mãos dadas. Já no portão ele me abraça, me deseja uma boa noite e um ótimo trabalho. E eu lasco-lhe um abraço daqueles bem apertados, esperando-o reencontrar.

 

Acordei com medo

Pela primeira vez na minha história de vida, acordei e tive medo do presente.

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Sempre fui uma pessoa muito desapegada e comprometida. Mas hoje eu acordei e tive medo de como poderia ser o dia. E como seria mais fácil se nada disso estivesse acontecendo neste momento em minha vida. Mas não é sobre facilidades que estamos lidando. A vida é mesmo desesperadora, não é mesmo?

É idiota mesmo, ela sabe ser complicada.

Making off curta-metragem “Me vê arroz e feijão”

Contei no post anterior como foi a produção do filme premiado com o segundo lugar  no Festival Curta Iguassu.

Mas agora o Douglas Camargo editou um making off em vídeo que mostra a dimensão do vídeo e como foram as gravações.

O material ficou show, vejam:

Preto como o vinho, vermelho como a solidão

Duas pessoas

Uma maca

Uma faca

A mulher, de pé, ostenta a faca com as duas mãos a altura do peito do homem deitado na maca

Me dê uma taça de vinho ou duas, e um copo de solidão

Se me perder será para sempre

Se te matar será para sempre

Eternidade não é para sempre

Para sempre é para sempre

Termine logo com isso

Já pedi um copo de vinho

 Você não toma vinho

Mas é disso que eu preciso agora

Não queira voltar no tempo e termine logo com isso

Por que você fez isso comigo?

Só quero que sinta o que eu sinto

Então porque não terminou logo?

Às vezes tenho dó de você

Você precisa ter dó é de você

Não sei do que você está falando

Dó?

Não, paixão!

Paixão é um tipo de dó, doação

Então porque você não sente isso?

Porque é como ter uma faca enfiada no peito

Um Bauman para chamar de meu – VIDEOCAST #1

Em um dia chuvoso de trabalho, quando inesperadamente ficamos sem internet – sendo pressionado pela amiga Mariana Serafini – teci alguns comentários sobre um dos meus autores favoritos. E foi um experimento para o meu primeiro Videocast! Depois de quase um mês ensaiando postar – por vergonha mesmo – decidi começar este novo projeto. Espero que curtam…

ZYGMUNT BAUMAN e o mal-estar

A vida que a humanidade experimentou até hoje está prestes a acabar, ou está apenas evoluindo? Qual é a distância entre a simplicidade e exuberância humana? Qual o significado de se carregar uma identidade? É realmente importante seguir o fundamentalismo religioso?

Todas estas perguntas já foram respondidas por Zygmunt Bauman, um dos sociólogos mais influentes de nosso tempo.

Muito conhecido pelos brasileiros através da obra Amor Líquido (2004), porém super premiado com Modernidade e Holocausto (1989), Bauman é o crítico da pós-modernidade, das relações flexíveis e da insegurança mundial.

Em sua bibliografia que leva o prefixo “Líquido”, o sociólogo explana sobre como a humanidade prefere os relacionamentos em rede, que podem ser tecidos ou desmanchados com facilidade e frequentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual. Ou seja, crítica como as pessoas não procuram manter laços a longo prazo.

Bauman foi para mim, nos últimos dois anos, um dos pensadores mais importantes. Está definindo o meu modo de pensar e concluir as pessoas a minha volta. O último livro que li foi Vida para Consumo (2008) em que o autor destaca com perspicácia uma verdadeira oculta pela sociedade: a sutil e gradativa transformação dos consumidores em mercadorias. Pessoas que antigamente consumiam, são agora consumidas pela mídia. Bauman examina a conduta consumista em todos os aspectos da vida, principalmente na formação da identidade e produção e uso de conhecimento, principalmente no mundo virtual.

VIDEOCAST #1

Links importantes para conhecer um pouco mais sobre o autor:

Entrevista com o filósofo polonês Zygmunt Bauman para o Fronteiras do Pensamento

‘Nós hipotecamos o futuro’, critica sociólogo polonês

Todos os livros lançados no Brasil pela editora Zahar

Relações pessoais VS Internet, um causo

Atualmente se fala muito na importância das redes sociais, tanto para uso profissional quanto pessoal. Porém há uma linha tênue que separa a crítica da ação.

Quando você coloca na balança os artigos sobre como fazer internet de um lado e no outro as ações que são realizadas, ela não há de pender para a prática.

Isso acontece, pois as pessoas não estão acostumadas ao modo de fazer, ou ainda, talvez pela falta de um manual que regule bem ao certo como todas as teorias podem resultar em boas práticas.

Acontece que a internet mudou os hábitos de consumo e relações do mundo todo, direta e indiretamente.

Hoje gostaria de compartilhar algo sobre relação/prática, isto permite termos uma ideia de como vivemos em uma aldeia global, e que podemos usar de vários artifícios para estreitar nossas afinidades com o uso das mídias sociais.

O caso Germano Rigotto

Ele já foi deputado estadual e federal, governador do Rio Grande do Sul e líder do partido no governo FHC. Mas o que diferencia Rigotto dos outros políticos em seu currículo é o uso que ele faz das mídias sociais. Em seu blog, Germano Rigotto fala sobre as finanças do país, usando um texto claro e limpo, acessível a todos. Porém é no Twitter que ele se destaca. Não fala sobre política. Ele é humano, comenta sobre as suas corridas que pratica, os filmes que assistiu no final de semana, sua relação com a família e o mais legal tem uma interação gigante com sua rede.

Rigotto certamente é o “político” que mais sabe usar as mídias sociais. Não é só pelo lado “descolado” que ele cria, mas como sabe aproveitar as relações interpessoais.

Há mais ou menos um ano, o meu amigo Luiz Henrique Dias começou a trocar tuites com ele, dado a ligação de um comentário sobre um posicionamento do país. Logo, logo os tuites de bom dia de Rigotto para o pessoal de Foz do Iguaçu começaram a me citar. Então comecei a prestar atenção em sua timeline. Eu pensando que era só mais um político a cumprimentar os “eleitores”, mas me surpreendi, pois nunca havia visto alguém usar a plataforma como ele usa.

Então outras pessoas de Foz do Iguaçu começaram interagir com o Rigotto, que demonstrou interesse em conhecer todos pessoalmente, especialmente Marcelo Valente, Luiz Henrique Dias e Luis Henrique Scheffer.

A costura para a palestra em Foz do Iguaçu foi realizado pelo @LuizHDias, e por final Rigotto veio mesmo e falou sobre cenários econômicos para mais de 100 pessoas interessadas no assunto.

A conclusão por mais óbvia que parece ser é um pouco mais complexa e nos faz refletir ainda sobre o tema.

Tomar o caminho inverso

Este exemplo fez o on line parecer muito mais um off line. Uma catarse reversa, que não estamos acostumados a lidar, mas que pode simplificar as nossas vidas e nossas relações.

Crédito foto: Gabriela Keller

A mídia vista por outro ângulo

Estou no sétimo período da faculdade de jornalismo – e por causa de problemas financeiros talvez nem consiga me formar o ano que vem, sou editor de um portal de notícias de Foz do Iguaçu, o Clickfoz, e assessor de comunicação de um grupo ligado ao turismo, amo o que faço, e faço tudo com muito orgulho.

Tenho uma consciência bem lúcida que talvez eu esteja ocupando estes cargos nem por experiência ou por conhecimento nas áreas que atuo, mas sim por capacidade, esforço e dedicação.

Sei que eu não sou melhor na minha área, e talvez por isso eu tenha tanta dedicação, pois quero fazer o melhor em tudo.

Durante estes anos da faculdade tudo o que eu pude me envolver eu me envolvi. Pauta, produção, reportagem, edição e cinegrafia no jornalismo televisivo. Pauta, reportagem e edição no jornalismo impresso. Reportagem, edição e produção no jornalismo web. E agora estou curioso pelas mídias sociais – sem contar que sempre fui.

Mas nessa última semana, algo mexeu muito forte comigo, senti algo que nenhuma outra experiência tinha me proporcionado.

O evento em questão foi o apoio na organização do Primeiro Encontro Mundial de Blogueiros, que trouxe para Foz do Iguaçu os principais teóricos da comunicação, como Ignácio Ramonet, e os ativistas da web, é o caso do porta-voz do Wikileaks e tantos outros representantes dos movimentos que tem colocado o mundo de cabeça para baixo e dado as costas para a grande mídia monopolista.

Neste evento eu pude sentir como sou pequeno e de certa forma ignorante, em relação ao mundo e a experiência do mundo comigo mesmo.

Eu participei daqueles eventos que as vezes dizemos “mudou a minha vida”, mas não mudou só a minha vida, mudou o meu olhar sobre o mundo e as perspectivas e ângulos pelos quais enxergamos o mundo.

Se temos uma janela para ver os acontecimentos que nos cercam, e essa janela sempre aponta para um lado, é imutável e a paisagem lá fora é sempre a mesma, qual a sua visão do exterior? Sempre a mesma, não é?

No Encontro de Blogueiros pude ter a certeza que o meu nível de criticidade aumentou, sobre a informação da mídia.

E meu gosto pelo jornalismo e o que ele pode fazer com o poder das palavras foi multiplicado.

Se este evento não foi um marco para a comunicação alternativa no Brasil, foi um marco na minha inteligência, significativamente.