Produtores de conteúdo – Novo quadro no programa Foz Mulher

Estreou na segunda-feira, 07,  o meu novo quadro no programa Foz Mulher, da Magda Carvalho, na Foz TV.

Toda semana vou conversar com um produtor de conteúdo para a internet. A ideia é bater um papo bem descontraído sobre essa interwebz que todos amam :3

Quem abriu o quadro foi a querida @carolcanete, essa linda :)

Assista:

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Somos contra a sensibilidade

Os psicólogos e os pedagogos não confirmam, mas certamente a principal característica do crescimento é o aborrecimento. Pq vc já notou que a medida que as pessoas crescem elas vão ficando chatas e totalmente sem graça.

As pessoas estão amadurecendo sem delicadeza e carinho. Estão ásperas demais. Estão secas a ponto de não ter um objetivo social, e sim o mais particular possível.

É difícil falar que vivemos em sociedade se estamos caminhando cada vez mais para a individualização dos sentimentos.

A “procura do amor”, por exemplo, virou uma verdadeira caça, ou se duvidar uma guerra. É preciso ter alguém do lado para ser verdadeiramente feliz. E é pulando de galho em galho que esta geração está evoluindo. Ou apenas regredindo, não é?

Uma amiga diz para a outra: “Seja feliz agora. Faça qualquer coisa, mas seja feliz. É isso que importa”. Eu já recebi um conselho assim, e prfvr é a coisa mais ridícula e sem noção que alguém diz para outra pessoa.

Isso pq nós não vivemos apenas o presente. Entenda que a vida dos seres humanos é cheia de história. E a história pesa o passado, o presente, mas  também no futuro.

É assustador pensar apenas no presente como forma de reconhecimento para a felicidade. A nossa história precisa ser aconchegante e acolhedora. Tanto para o nosso ego, como para as pessoas que irão se aproximar de nós ao decorrer de nossa vida.

Na semana passada eu assisti um vídeo que está mudando a minha vida. Gostaria de compartilhar com o máximo de pessoas que eu puder.

O vídeo gira em torno da atenção e da consciência. Mas se parar para pensar. A atenção é o umbigo e a consciência a voz do universo. É a atenção dispensada ou não nas outras pessoas que fará de nós seres carinhosos. É a consciência de estar próximos ou não, que fará de nós pessoas sensíveis para com os próximos.

Eu confesso que não sou nada atencioso. Perco datas e horários. Esqueço compromissos e coisas importantes. Mas eu corro demais contra este problema. E vc?

Making off curta-metragem “Me vê arroz e feijão”

Contei no post anterior como foi a produção do filme premiado com o segundo lugar  no Festival Curta Iguassu.

Mas agora o Douglas Camargo editou um making off em vídeo que mostra a dimensão do vídeo e como foram as gravações.

O material ficou show, vejam:

Diário de produção: Me vê arroz e feijão

Tudo começou ao acaso, mas como nada acontece ao acaso, foi mais ou menos assim:

Fiquei sabendo do festival de curtas, há mais ou menos uns três meses, por intermédio de amigos que trabalham no Polo Iguassu, entidade organizadora do evento, e fiquei realmente muito animado. “Um festival de curta-metragens em Foz do Iguaçu vai ser animal!”, pensei.

Inscrição – Mas nem passou pela minha cabeça em me inscrever no Curta Iguassu, na verdade deu aquela vontadezinha, eu confesso. Porém, é que a verdade não conseguiria formar  uma equipe boa a tempo. Deixei a ideia de lado, em stand-by.

Até que em uma tarde no Facebook – um cara que simplesmente sou fã e admiro muito o trabalho – o fotógrafo iguaçuense, Rafael Bechlin, me chamou no talk do Facebook e conversando sobre o Festival, me convidou para fazer parte da equipe que ele estava formando naquele exato momento, pelo próprio Facebook.

curta_iguassu

O Rafael convidou pessoas especiais. Pessoas não só apenas brilhantes profissionais, mas ótimos seres humanos. Todos ligados na área. Eu ficaria responsável pelo roteiro, pela formação em dramaturgia, obviamente. Estava montada a equipe “Quati Preto”.

Nos reunimos alguns dias antes do festival e trocamos ideias sobre o que possivelmente poderíamos fazer, mas, claro, tudo dependeria do tema sorteado. Mas mesmo assim fizemos uma brainstorm e tecemos alguns comentários.

Foi neste momento que surgiu a ideia de um curta que contaria a ideia de objetos/coisas e não de pessoas, porém essas coisas seria o reflexo das pessoas. A partir deste pequeno argumento as sugestões de cenas começaram a florir. Porém era só uma conversa de boteco.

Sorteio do tema – O sorteio dos temas para a produção do curta-metragem aconteceu no SESC, às 16h30. E no exato momento em que o Rafael revela o envelope o tema: Fluxos. Idas e vindas de várias faces” foi engraçado pq todos se entreolharam e pensaram exatamente na conversa que já tínhamos antes. Foi unânime, todos ficaram de acordo.

Tema Quati Preto

Com o tema em mãos, e com as devidas observações da organização do festival, fomos para o nosso Quartel General. A Loumar Turismo cedeu o espaço denominado “Loumar Plex”, é um sobradinho onde os funcionários da empresa comemoram aniversários e reuniões. Montamos ali uma central de produção, com direito a camarim e ilha de edição. E claro, o lugar para repor as baterias e dar uma descansada básica, pq as 48h seguintes, sabíamos, seriam desgastantes – físicamente falando.

Construção do roteiro – Chegamos no Loumar Plex animados, radiantes e cheios de energia. Estávamos transbordando ideias por todos os lados. Fizemos uma tempestade de projeções. E montamos uma lista de prioridades, dando o maior destaque para o MINIMALISMO. Decidimos por convicção montar um roteiro simples, sem fala, diálogos ou narrativa. Onde a produção, a fotografia e a continuidade seria o grande chamariz.

Roteiro 2

De posse destas infos sentei coloquei uma boa música para ouvir e escrevi um roteiro #1 em aproximadamente 40 minutos. Foi mais um indicativo do que um roteiro em si. Mas não é fácil montar um texto para não ser observado. Um roteiro transparente, onde as pessoas não o enxerguem e que ainda seja inteligente.

Lemos o Roteiro #1 fizemos algumas modificações em grupo e ok, roteiro aprovado. “Quando podemos começar as gravações?”, perguntou a produtora Maris Sampaio. “Agora mesmo”, disse animado, o Rafael Bechlin.

A produtora Lili Cristalvo separou o texto em cenas e fez o material descritivo a ser utilizado nas gravações. Fui logo escalado para fazer as primeiras gravações.

Puerto Iguazú – Tratei de dividir o roteiro em 3 partes: Peso // Guarani-Dolar // Real. As três principais moedas correntes na região trinacional. As primeiras cenas gravadas, ainda na quinta-feira (29) foi em Puerto Iguazú, representando a primeira parte, o Peso.

Gravando em Puerto Iguazú

Fui para casa me arrumar, conforme pediu a figurinista e maquiadora Joyce Warken. Passamos a fronteira. Gravamos a primeira cena na frente de um cassino. A continuidade seria um garotinho de rua pegando a moeda que eu deixei cair no chão. Foi aí que as produtoras Lili e Maris começaram a observar as crianças que estavam andando por ali perto.  Foi então que elas observaram um menino, mal vestido e bem sujo. Chegaram e pediram se ele toparia gravar conosco. Ele aceitou. Miguel de sobrenome Angel. Um anjo. Um menino atencioso e querido. Detalhista que só ele, o diretor e fotografo, Rafael Bechlin, repetiu exaustivamente as cenas com o Miguel. E o Miguel sempre atencioso e disposta a nos ajudar.

As produtoras descobriram que o Miguel mora em Wanda – uma região conhecida internacionalmente pela qualidade das pedras decorativas que explora. Ficamos todos surpresos com a história do menino Miguel. E até pensamos em voltar lá e fazer um longa da vida dele – mas isto é uma outra história.

Continuamos com as gravações, agora na Conveniencia Haus, ao lado do cassino no centro de Puerto Iguazú. Concluídas as cenas voltamos para o nosso QG. O Rafael descarregou as imagens e começou a montá-las conforme pedia o roteiro. Neste momento no relógio já era 3h da madrugada, mas em nossos espíritos marcava “temos que dar continuidade”.

Começamos a articular as cenas que iríamos gravar em Ciudad del Este, para a segunda parte do texto. “Guarani/Dolar”. O nosso diretor, o Rafael, sugeriu fazer um timelapse do amanhecer. Até ai tínhamos dúvida se conseguiríamos um amanhecer bonito, pois choveu na quinta-feira de tarde. A maquiadora Joyce sugeriu que fizessemos as imagens da sacada do seu apartamento, que fica próximo ao rio Paraná, com visão para a cidade fronteira.

Joyce, Rafael, Maris e Lili foram fazer o timelapse perto das 5h da manhã. Então nem é preciso falar que não durmimos nada nesta noite, não é?

Eu descansei um pouco, deitado no sofá do Loumar Plex, das 3h30 às 5h30. Não tomei banho, nem escovei os dentes, confesso.

Lá pelas 6h30 0 Paulinho chegou para ajudar na edição. E partimos para o Paraguai.

Ciudad del Este – Ciudad del Este é uma alegria para os fotógrafos, diretores de arte, figurinistas e apaixonados pela cinematografia de plantão. Ciudad del Este respira: “me filmem, por favor”. Ciudad del Este  tem uma peculiaridade exclusiva. Ali, o Rafael extraiu algumas texturas únicas daquele lugar. Valorizou a cultura oriental, a indígena e a local. Retratamos pequenos recortes, mas grandes significados.

Gravando no Paraguai e Brasil

Cruzamos a fronteira tão cedo, que às 10h30 já havíamos gravado tudo. Até 2 timelapses.

Voltamos para Foz. Fomos até o mercado Super Ghada – de especiarias médio-orientais. Um mercadinho especializado em comida árabe. Fomos recebidos pelo dono do local, um senhor. super gentil que permitiu que fizéssemos as gravações.

Era meio dia quando voltamos para o QG com 80% das imagens gravadas. Faltava só as últimas cenas.

Semáforo – Era a parte do roteiro onde todas as moedas se uniriam. O peso, o dólar, o guarani e o real se encontrariam em um menino de rua pedindo dinheiro no semáforo em Foz do Iguaçu. Eu sugeri o meu irmãozinho de 8 anos para fazer o papel do garoto de rua, mas nunca imaginei que ele serviria como uma luva.

O Allan realmente encarnou o personagem, e quando a Maris e a Lili pediam para ele fazer cara de triste, ele respirava fundo e mostrava aquela cara de dó. Foi lindinho.

IMG_8532

Gravar no semáforo não foi fácil. Exigiu atenção redobrada das produtoras, pois estávamos com uma criança em uma locação realmente perigosa. Em 1h que ficamos no cruzamento presenciamos quase duas batidas. Então as meninas ficaram expertas e sempre guiando os passos do Allan.

Após o cruzamento finalizamos as gravações no mercadinho na região central da cidade.

Voltamos para o QG, onde o Paulinho, o Douglas e o Rafa começaram a edição final. O Rafael e as meninas ainda esperaram o entardecer para pegar mais um timelapse da ponte da fraternidade.

Concluída a edição na sexta, o magnífico Vacca pegou o material para compor a trilha sonora.

EDIÇÃO DO CURTA

Trilha Sonora – Foi realmente o auge de nossa produção. Como o material foi editado no seco, para depois ser incluído a trilha, ficamos todos na expectativa de como seria o tema musical. O Vacca produziu a trilha em seu estúdio, ele nos contou que fez um material mais complexo, porém que no final não gostou pq não estava tão “minimalista”. Mais ou menos meia noite de sexta, ele apagou toda trilha que tinha produzido. “E comecei a fazer a coisa mais simples que eu sei: piano”, nos  revelou.

E realmente nos surpreendeu. Era aproximadamente 2h quando o Vacca voltou ao QG com a trilha pronta. O Paulinho colocou a trilha na timeline do projeto de edição e assistimos.

O resultado: lágrimas por todos os cantos. Foi realmente uma explosão de sentimentos, pq estávamos bastante à flor da pele.

Após o momento eufórico da produção, os gênios da edição fizeram os últimos retoques e voi-là. Ficou pronto o curta “Me vê arroz e feijão” às 4h da madruga de sábado.

Agradecimentos – Primeiramente à organização do Curta Iguassu por ter nos dado a possibilidade de organizar o grupo Quati Preto e participar deste festival. Em segundo lugar, agradeço imensamente ao Rafael Bechlin por reunir um grupo tão lindo, heterogéneo e homogéneo ao mesmo tempo. Em nenhum momento houve brigas, discussões ou pequenos desentendimentos. Agradecemos imensamente a Mídia Z por disponibilizar seus ótimos profissionais e equipamentos para a produção do curta.

Equipe Quati Preto

Um agradecimento especial também para todos que contribuíram com as gravações. As locações foram super gentis. Agradecemos também a Loumar Turismo que carinhosamente cedeu espaço para a equipe. Ao pequeno Miguel que contribuiu muito com a sua realidade. Ele me fez lembrar de uma declaração do Glauber Rocha. Que fala algo sobre documentar a realidade é a arte de fazer cinema. E o Miguel contribuiu de mais para nos animar a mostrar nossa realidade. E ao pequeno Allan, também um super muito obrigado, para dar todo o sentimento que gostaríamos ao curta.

Foi uma das experiências mais gratificantes que já tive em toda a minha vida. Foi simplesmente sensacional. Realizei um sonho.

Agradeço a Deus por este momento, agradeço aos novos amigos.

Rafael Bechlin
Maris Sampaio
Joyce Warken
Lilis Cristalvo
Vacca
Paulo Lisboa
Rudney de Paula
Douglas Camargo

Confira o resultado final:

CURTA METRAGEM | ME VÊ ARROZ E FEIJÃO from Rafael Bechlin on Vimeo.

O meu Willian Bonner

A bonnificação do jornalismo

Ele é chamado de tio pelos tuiteiros e já foi acusado de ser orkutizador pelo YouPix. Mas isso é o que a internet acha. Na verdade é o editor-chefe e apresentador do maior telejornal do país, o Jornal Nacional. O nome dele, nem preciso falar, né? Willian Bonemer Júnior atende por Willian Bonner na Globo, e para mim é uma pessoa surpreendente como pessoa e como profissional. Eu gosto muito de sua apresentação e como ele conduz com maestria o JN. Sem falar que como pai de família parece ser  fantástico. Mas não é nada disso que quero discutir. Quero falar sobre a importância dele para o jornalismo nacional. E quando falo jornalismo, gostaria de retratar a classe e ciência e não sociedade. Na terça-feira (10) iniciei um debate muito interessante a respeito do Willian Boner.

Tudo começou a partir de um tuite:

Logo depois, querendo manifestar um pouco sobre os meus pensamentos, tuitei a mensagem que foi o estopim para uma enxurrada de respostas:

~Teleprompter~

Quando disse que a única coisa que ele faz é ler notícias no TP, na verdade me expressei mal. Eu sei que o trabalho de um editor nacional não é fácil. Hoje eu sei, mas inicialmente quando pensei em fazer jornalismo era isso que eu pensava. Nunca tive o Willian Bonner como inspiração. Porque o seu trabalho não me parece desafiador, como é o verdadeiro trabalho do jornalista. Na verdade eu fico irritado mesmo quando falo que faço jornalismo e as pessoas sem pedirem licença já planejam a minha vida: “Quero te ver no lugar do Willian Bonner”. Mas vamos voltar a pergunta inicial, o que o Willian Bonner fez/faz para o jornalismo? Creio que ele é só mais um personagem da Globo, que tenta a todas as custas glamurizar o jornalismo, com um robusto padrão de qualidade. Isso talvez não seja ruim para os estudantes e profissionais da área de comunicação que sabem que existe uma produção, mas não para os que não entendem nada sobre rebatedor, cross off e grua, por exemplo. O padrão Globo está residindo por muitas vezes na perfeição. Com uma linda voz de quem já foi radialista, com um belo texto de quem já foi redator publicitário e uma presença forte e marcante Willian Bonner tem a receita. A Globo mostrou que usa essa receita ao escolher a Patricia Poeta para substituir Fátima Bernardes na bancada do JN, por exemplo.

Le celebridade

A Mayara Godoy definiu, em partes, todo o meu problema com o que o Willian Bonner representa. Mas neste caso, para a sociedade, Willian Bonner não é jornalista e nem uma celebridade. Ele é quase uma pessoa intocável e por vezes sensível de mais. Capaz de comover multidões. Mas surge aí outra pergunta: “Porque o Bonner tem tanto respeito da população brasileira?”. Ele já defendeu os direitos dos brasileiros ou por acaso já fez algum comentário para valorizar a classe menos favorecida, ou talvez fez uma matéria que revelou o esquema de corrupção do governo? Na verdade WB não fez nada disso. Apenas selecionou as matérias das filiadas e leu no Tele Prompter o que talvez escreveram para ele. Willian Bonner não representa para mim o ícone do jornalista a ser seguido, para mim José Hamilton Ribeiro, o repórter do século, sim.

ps.

Contribuição do @brunomaneh no debate:

Outra contribuição importante foi do @simiaocastro

O cala boca e o JEITINHO brasileiro

Qual é a fúria do Twitter, e por onde anda a seriedade de meus compatriotas?

Não sou analista de mídia, nem critico psico-social. Este post somente é, como costumo dizer, um olhar nano entrelaçado em minhas experiências.

Tudo começou com um protesto ‘sério’ de pessoas incomodadas com os comentários inúteis do global Galvão Bueno. Há quem diga que a revolta seria desnecessária, pois se não quer ouvir burrices, o controle remoto é um bom amigo. Não é só trocar de canal? Pois bem, nesse caso não. O brasileiro decidiu mostrar sua indignação, xingando muito no Twitter.

Depois veio toda aquela história da maior piada interna do mundo, que você já conhece, caso não, tem um post brilhante do caro @AugustoCF que poderá solucionar seu problema. 


Tudo certo até aí, os brasileiros conectados a rede deram boas gargalhadas. Após isso veio o novo viral da Geisy Arruda, querendo escrever um livro. E por último o ‘Cala Boca Tadeu’, sobre o incidente grotesco com o técnico da seleção brasileira.

Nunca gostei da política comprada que a Rede Globo mantém com suas fontes. Não falo isso porque eu ouvi falar, ou algo parecido, mas porque já presenciei na pele situação parecida a que viveu a Fátima Bernardes dia atrás, quando chegou pomposa na concentração da seleção querendo uma ‘exclusiva’, levando assim uma patada do ‘careta’ Dunga.

O problema é que a maioria dos entrevistados sentem uma necessidade tremenda de aparecer na Globo. Não por menos, o padrão Globo levou a emissora a um patamar pouco encontrado em terras tupinikins. Tem o melhor sinal, o melhor som, acerta na dramaturgia, concluindo assim um poder de penetração inconfundível.

No meu caso já presenciei o jeitinho brasileiro da Globo tratar seus entrevistados de maneira peculiar. São sonoras particulares, perguntas na coxia, etc. Claro tudo para manter o padrão, não acuso disso. Até porque o bom repórter busca sempre ter seu trabalho admirado.

O problema está quando o padrão de qualidade muda o nome para egocentrismo focal. É o que passou os repórteres da Globo no domingo (20) após o jogo da seleção. A jornalista Daniele Rodrigues abriu os meus olhos, de maneira que enxerguei a situação muito mais complexa do que no momento em que assisti o editorial de Tadeu Shimidt. Eu senti as dores da rede Globo. Mas a Dani me fez ver que os dois lados estavam errados.

Os dois lados demonstraram o verdadeiro jeitinho brasileiro. O Dunga por não segurar a boca, os repórteres da Globo por desrespeitarem o técnico da seleção. Simples assim, né Dani? (interna)

Sobre o crítico dos críticos

Muitos renegam a paixão humana sobre os excessos cometidos nos inflados discursos. Há aqueles que se preocupam demasiado com a vírgula, e os que não acentuam direito. Nesses dois casos existe o crítico para realizar o seu papel na sociedade. Regrar excessos e deixar de lado as atitudes que deram certo, na maioria das vezes.

Não é que o papel desses seja desproporcional. Mas aqueles que se destacam de  um monte de porcaria que vemos na internet. É o pensamento fugaz e verdadeiro, de admitir que uma pessoa não pode comentar sobre tudo, até pode, mas existem coisas que não posso me meter, talvez por não ter uma base teórica sobre o assunto em questão.

O crítico precisa ter chão, para cair no ostracismo ou se sustentar na glória. Ser crítico não é adotar uma postura sanguinária de guerra, entre tudo é necessário analisar e dar soluções às palavras que foram comentadas, isso com brilhantismo de ideias.

Não somos uma bolha, mas estamos inseridos nela. Fazemos parte de uma sociedade hipócrita, mas não somos hipócrita, só aceitamos a hipocrisia alheia. Só é preciso refletir para não cometer os erros que, por muitas vezes, já foram cometidos.

Sobre o crítico dos críticos, digo: “você não existe”, ou queira existir, por favor. Seja então para nos ensinar, vê e tudo analisará, desde que tenha olhos de verdade, de humano.

Vamos jogar nossos certificados no lixo!

José Hamilton Ribeiro
Seis Esso: "Faculdade de jornalismo é uma bosta"

Calma, toda qualificação é importante. Sou daqueles que defendem o diploma no curso de jornalismo e em qualquer formação. A preparação para o mercado profissional é, certamente, a melhor maneira de se colocar na competição, juntamente no pelotão de elite, talvez. Mas e quando o mercado não coloca em prática nada do que realmente aprendemos na faculdade?

Aí que está a questão, falo do jornalismo porque é uma área que me interessa e claro, trabalho com. Aprendemos tantas coisas na faculdade, será inútil?. Não quero entrar no mérito da questão, somente que os praticantes do jornalismo estão muitos distantes dos que aplicam. A teoria está longe da prática, é isso que eu vejo.

Esses dias em um bate papo descontraído, antes de uma entrevista, o jornalista José Hamilton Ribeiro, disse a uma amiga para jogar o diploma no lixo, mas como ainda ela era estudante, comentou sem delongas: “Curso de jornalismo é uma bosta”. Eu fiquei me perguntando o motivo dele ter dito isso. Estudar jornalismo é mesmo uma bosta? As cátedras são ruins? Não cheguei a nenhuma conclusão. O ganhador de seis prêmios Esso causou essa confusão em minha cabeça, bem em um momento que por motivos de poderes maiores, estou inabilitado de terminar o meu curso superior.

Mas eu bem que conclui algo lendo a Veja (09/05). Na capa, nada de imparcialidade, o motivo disso? Eu sei, o mercado da imprensa. Mas talvez é este mercado que jogou o diploma do jornalismo no lixo e diz todos os momentos: “Certificado é só para colocar na parede”. Mas digo que as merdas feitas pelo mercado devem ser limpas com ele, o diploma, que pelo menos mostra que alguém foi qualificado e no mínimo teve aula de ética no currículo. Ou só existem jornalistas comprados pelo sistema?

Do crossfade ao off

A câmera me deu uma nova perspectiva sobre a matéria
Sempre me interessei por todas as áreas da minha profissão. Comecei como repórter, mas logo fui apaixonadamente jogado na cinegrafia, depois na edição. Pesquisei, e desamparado logo estava lá, eu sendo sugado pelos efeitos e transições do Premiere.
Algumas semanas em seguida, pegava a câmera na redação, gravava o off e editava. Porque eu sempre pensei, e penso até este momento, que um bom jornalista tem que conhecer todas as extensões. Do texto a imagem, do crossfade ao off, do lide ao reverso, da passagem a linha fina.
Sabe o motivo de eu pensar assim? Foram os pitacos de ‘grandes’ jornalistas que se diziam bons, todavia que na verdade nunca seguraram um microfone, nunca organizaram suas idéias. E estão aí, sobrevivendo de pitacos.
Lindos, quero mais me aprofundar, vejo que não leio como deveria. Confesso que o último que li sobre jornalismo foi “Não somos racistas” do Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo. O título do livro me atraiu, mas terminei o livro muito intrigado. Realmente, se Kamel mora no Brasil, ele deve enxergar a população do alto do Corcovado.
Estudei alguns anos em rede pública, confesso que não conheço a realidade de outras cidades, mas eu sei que a escada racista ainda existe em escala profissional e educacional.