Além do mar, meu leão

Quando criança, me imaginava montado em um leão, percorrendo os diversos países. Eu agarrado nas jubas do grande. Cresci, e não entendo o sentimento saudosista que sinto em relação aos sintomas da minha imaginação infantil. Quando lembro das histórias, mais vontade tenho de amadurecer na autenticidade das imagens das crianças

A jornada de crescimento não é nada fácil. O amadurecimento significa rompimento de barreiras e quebras de paredes dentro da casulo, por muitas vezes chamado coração.

Toda a necessidade de retorno às brincadeiras infantis, tornam-se uma fuga constante dos problemas de adulto. A fé, então, de criança, a acreditar em um mundo tão grande e impossível, dá lugar a sentimentos um pouco mais concreto. Daí é o problema, da imaginação ao raciocínio lógico.

Quem me conhece entende a forma simples como prego que a imaginação e a fantasia podem ser cooperadas com o pensamento lógico. Para se chegar ao pensamento lógico é preciso reconhecer que alguma coisa é possível, que se pode chegar ali de uma forma simples. Ora, a coerência persiste na harmonia e na conformidade, que não é nada mais que a simplicidade persuadida de coesão.

Esse último adjetivo, usado bastante no jornalismo, eu sempre admirei pela necessidade que ele tem em se aproximar das pessoas comuns,  ser coeso é dar conexão no texto com as pessoas que irão ler. Ser coeso é ser simples e a simplicidade é uma forma fantástica de se entendido com facilidade.

Crescer de uma forma simples, olhando para os acertos e erros do passado. Olhando focado nos sonhos do leão, me faz cada vez mais buscar a simplicidade para alcançar a perfeição.

Um tratado sobre a realidade em a Ilha do Medo

Se entregar é a maneira de manter tudo em calma? Então, mostrar que você pode ser outra pessoa é a forma mais racional possível. É o que diz Scorsese no seu mais recente filme com Leonardo Dicaprio.
O roteiro de Laeta Kalogridis é insano, daqueles que chama o espectador para a briga de pensamento, reviravolta e um misto de desespero e fúria.
O filme foi baseado no grafhic novel de Dennis Lehane, mas a adaptação do cinema não segue a mesma estética criada pelo autor. Scorsese usa da sua iluminação para dar uma atmosfera mais pessoal ao seu trabalho.
Foi uma ótima escolha de Dicaprio, que tem se dedicado a filmes psicológicos e intimistas, mas sem esconder a preferencia pelos filmes de ação, desde Diamante de Sangue de Edward Zwick.
As cenas são cortadas e remixadas e dão a impressão de cortes súbitos ao longo da história, com morte, cenas de guerra e muito sangue, de graça.
Ilha do Medo, título usado impropriamente na tradução portuguesa, porém que poderia entregar toda a magia do filme se fosse usado a tradução de Shutter, usado no nome oficial em inglês.
Ódio púrpuro e iluminado, sangue de inocência e racionalidade. Qualquer forma de loucura, qualquer tipo de pensamento influente.
O ápice do filme é quando em um diálogo com os personagens Teddy Daniels e a personagem principal do enredo, a desaparecida paciente do hospital psiquiátrico, revelam “Depois que é considerado louco toda a racionalidade sua é prova da loucura”, frase que é desenvolvida no desenrolar do roteiro.
A partir daí, absurdidade geral, loucura e remédio são temas envolventes e reveladores. Até descobrir, atente-se para o spoiler, que a “Ilha do obturador” é realmente o que Danniels não queria que fosse, uma clínica para a sua loucura.

A fantasia como mediadora da razão

Esopo está mais em foco na atualidade que na Grécia antiga. O escravo corcunda que foi dono de uma grande inteligência inaugurou um novo gênero literário em que seus personagens são animais – apesar de selvagens e irracionais na vida normal, falam, cometem erros, são sábios ou tolos exatamente como os homens.

Por meio das fábulas Esopo colocou todos os sentimentos humanos nos animais, as mais possíveis intrigas e todas as características de um ser pensante, sem agredir ninguém.

Na modernidade podemos observar os valores e regras para um bom comportamento, ou não, presente neste tipo de conto: a fábula. A fábula passou por modificações ao longo dos tempos. Pode-se citar o exemplo de Esopo, ele preferia não escrever suas histórias, somente as contava e pedia para que as pessoas as passassem adiante. Hoje é difícil conhecer algo semelhante, descartando as histórias folclóricas

A fábula moderna é a fantasia

Não há de se discutir que a leitura assume proporções na vida e nas atitudes das pessoas. Existe emoção e até mesmo mudanças de hábitos em uma leitura de uma passagem “sagrada”, por exemplo, ou até mesmo um artigo importante.

A leitura forma a opinião e a consciência de um indivíduo. Todavia o conto de fadas é uma das literaturas mais lidas, porém ultimamente tem se mostrado desfocado em seus exemplos como Harry Potter e o novo sucesso mundial Crepúsculo.

Houve tempos, e ainda sobrevive, que a fantasia era muito mais que apenas o conto de fadas, anões barbudos e animais falantes. O homem acrescentava a sua história como formador de mundos depositando nele todos os modelos morais que são apreciados. Era isso que Esopo fazia. Todas suas histórias continham uma moral, que cada pessoa usava sua experiência de vida para moldá-la as atitudes dos animais.

Para um dos maiores romancista fantástico, J. R. R. Tolkien, “o atrativo do conto de fadas consiste em que nele o homem cumpre de maneira mais plena sua função de ‘subcriador’, não faz um comentário sobre a vida, mas constrói, tanto quanto possível, um mundo subordinado que lhe é próprio”. Uma vez que essa é uma das funções características do ser humano na construção da narrativa.

Criando um novo mundo, o homem insere nele as influências psicológicas ou instintos bondosos e maldosos que o leitor sutilmente não consegue se livrar, pelo motivo que a leitura se utiliza da capacidade do inconsciente da memória que não é possível escapar, como as atitudes que o foram manifestados. Carl Jung diz que o conto de fadas “libera arquétipos que residem no inconsciente coletivo; e quando lemos um bom conto de fadas, estamos obedecendo ao antigo preceito ‘Conhece a ti mesmo’”.

Mundo falso

Acusam o conto de fadas de dar às crianças uma falsa impressão do mundo em que vivem. Nenhum outro tipo de literatura, porém, dá sentido contrário, uma impressão verdadeira.

O menino não despreza as florestas de verdade por ter lido sobre florestas encantadas, a leitura torna todas as florestas de verdade um pouco encantadas. O menino que lê uma história “real” que seja focada no sucesso se preocupa em alcançar esse objetivo e quando não lhe vem fica infeliz. O mesmo que lê conto de fadas fica feliz porque simplesmente deseja e se realiza no próprio ato de desejar. Sua mente não esteve centrada nele mesmo, e suas energias não estavam voltadas a uma realização, mas tenta tornar tudo mais simples e poético.

As histórias realistas tendem muito mais a enganar as crianças. Mesmo imaginando que o mundo real seja igual ao conto de fadas. As histórias reais em que as crianças passam por aventuras e sucessos que são possíveis, para não ultrapassarem as leis da natureza, mas quase infinitamente improváveis, tendem muito mais que os contos de fadas a criar falsas expectativas.

Para o escritor da série fantástica Crônicas de Nárnia Clive Staple Lewis, não só a fantasia como todo tipo de literário, com características fantásticas à presença de seres não-humanos que se comportam, em diversos graus, como os seres humanos: gigantes, anões e animais falantes, são no mínimo um signo admirável que veicula uma psicologia, uma tipologia de caráter de modo muito sucinto que o romancista, e que o romance ainda não pode atingir. Consideramos o Sr. Tumnus, o fauno de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, a criança que algum dia encontra o Sr. Tumnus guarda para sempre na intimidade um conhecimento da psicologia humana social inglesa de 1930 que não poderia adquirir de nenhum outro modo.

Educadores de todo o mundo reconhecem este recurso de implantação de regras por meio da literatura, mas a fantasia nem sempre foi a literatura preferida das crianças. Antigamente em todos os lugares e em todas as épocas os contos de fadas não eram feitos especialmente para crianças nem desfrutados exclusivamente por elas. Só se deslocou para a escola maternal quando caiu de moda nos círculos literários, tal como, nas casas vitorianas, a mobília que saia da tendência ia para os quartos das crianças. A verdade é que muitas crianças não gostam desse tipo de literatura, assim como muitas crianças não gostam de sofás de crina, de que muitos adultos gostam, como gostam de cadeiras de balanço. E todos aqueles que apreciam, sejam jovens ou velhos, provavelmente a apreciam pelo mesmo motivo. Mas aludimos à fantasia as crianças porque existe uma falsa concepção de amadurecimento. Somos acusados de retardamento porque não perdemos um gosto que tínhamos na infância, mas na verdade o retardamento consiste não em recusar-se a perder as coisas antigas, mas sim em não aceitar as novas. A sociedade nos impõe a razão e tudo que está fora das leis da natureza não existe ou não deveria existir, mas esquecem que para um amadurecimento social a imaginação é a capacidade de permitir a criação de um objeto através da mente e dos sentidos, chegando assim até a conclusão da razão.

Devemos agradecer Esopo, Lewis, Tolkien e a todos os escritores que usaram a fantasia para criar na mente das crianças e não tão crianças assim um amadurecimento imaginativo e psicológico, porque é impossível entender como Einstein e tantos outros nomes da via da razão mundial chegaram à suas conclusões e busca pela verdade sem usar uma importante ferramenta mediadora: a imaginação.

“Receba com simplicidade tudo o que acontece em sua vida”

Nunca fiz um comentário crítico sobre alguma obra dos irmãos Coen, confesso que não conheço a filmografia da dupla. Mas sobre a indisponibilidade de uma crítica razoavelmente boa em sites especializados é que decidi fazer a minha própria.

Fácil falar que o filme faz uma menção negativa a religião judaica, que em uma simples busca na web é possível saber que os irmãos nasceram sob esse contexto.

Somebody to love – Não é a montagem das cenas nem o posicionamento das câmeras que dá ao filme o ar punk. A música de Jefferson Airplane esquenta o esquema frio das cores usado pela fotografia. Ela está presente em algumas das principais cenas que envolvem o filho do professor de física Larry Gopnik, sendo a chave principal do filme. Confesso que conheci a música no clássico “Forrest Gump”, que dentre outras qualidades destaca a evolução musical dos Estados Unidos. Não entendo nada de música morte americana, porém a música deve ter um significado político e social forte.

Já que odeio ler spoilers em críticas vou tentar me abstrair deles.

Torá – Alguns amigos judeus já haviam me falado sobre um personagem que eles admiram bastante. O famoso rabino Rashi. Mas nunca fiquei curioso para pesquisar sobre ele, ou sobre saber das suas famosas frases de efeito minimalista. Acontece que Rashi apresentou um significado simples as complexas histórias do Torá e da Tanach – a bíblia hebraica.

Acontece que eu já tinha o conceito “Rashi-minimalista” em mente e pude esperar um filme com este significado quando vi na tela a seguinte frase: “Receive with simplicity everthing that happens to you”. É difícil de compreender que os diretores entregaram a grande sacada logo no primeiro frame.

O filme leva este conceito minimalista na produção de arte, no roteiro, nos diálogos simplórios, nas expressões dos atores, na montagem das cenas. A linguagem de que pouco é tudo aparece de forma muito espetacular em toda a composição.

Existem vários tipos de filmes. Aqui listo os que são feitos somente para o entretenimento, os que conseguem unir o entretenimento com a arte do significado, e os que usam da arte para apresentar um significado. O último exemplo citado pode ser difícil de engolir quando você quer só se divertir, e vê que precisa queimar um pouco dos neurônios para sacar a trama. “Um Homem Sério” é assim. Ele apresenta um roteiro que te prende, mas o contexto vai além, para uma aula de bom cinema e cultura judaica.

De propósito o título guarda outra sacada, o humor negro. Larry Gopnik é um grande homem sério, mas sua seriedade chega a ser escrachada por sua sinceridade, lealdade e loozer.

Não acho que o filme tenha uma continuação como li em outros sites, a forma inusitada como termina traduz bem o espírito da coisa. Receber com simplicidade o que acontece em nossas vidas, mesmo que a notícia que recebamos é a de morte. Daí a contradição otimismo X pessimismo.

O cala boca e o JEITINHO brasileiro

Qual é a fúria do Twitter, e por onde anda a seriedade de meus compatriotas?

Não sou analista de mídia, nem critico psico-social. Este post somente é, como costumo dizer, um olhar nano entrelaçado em minhas experiências.

Tudo começou com um protesto ‘sério’ de pessoas incomodadas com os comentários inúteis do global Galvão Bueno. Há quem diga que a revolta seria desnecessária, pois se não quer ouvir burrices, o controle remoto é um bom amigo. Não é só trocar de canal? Pois bem, nesse caso não. O brasileiro decidiu mostrar sua indignação, xingando muito no Twitter.

Depois veio toda aquela história da maior piada interna do mundo, que você já conhece, caso não, tem um post brilhante do caro @AugustoCF que poderá solucionar seu problema. 


Tudo certo até aí, os brasileiros conectados a rede deram boas gargalhadas. Após isso veio o novo viral da Geisy Arruda, querendo escrever um livro. E por último o ‘Cala Boca Tadeu’, sobre o incidente grotesco com o técnico da seleção brasileira.

Nunca gostei da política comprada que a Rede Globo mantém com suas fontes. Não falo isso porque eu ouvi falar, ou algo parecido, mas porque já presenciei na pele situação parecida a que viveu a Fátima Bernardes dia atrás, quando chegou pomposa na concentração da seleção querendo uma ‘exclusiva’, levando assim uma patada do ‘careta’ Dunga.

O problema é que a maioria dos entrevistados sentem uma necessidade tremenda de aparecer na Globo. Não por menos, o padrão Globo levou a emissora a um patamar pouco encontrado em terras tupinikins. Tem o melhor sinal, o melhor som, acerta na dramaturgia, concluindo assim um poder de penetração inconfundível.

No meu caso já presenciei o jeitinho brasileiro da Globo tratar seus entrevistados de maneira peculiar. São sonoras particulares, perguntas na coxia, etc. Claro tudo para manter o padrão, não acuso disso. Até porque o bom repórter busca sempre ter seu trabalho admirado.

O problema está quando o padrão de qualidade muda o nome para egocentrismo focal. É o que passou os repórteres da Globo no domingo (20) após o jogo da seleção. A jornalista Daniele Rodrigues abriu os meus olhos, de maneira que enxerguei a situação muito mais complexa do que no momento em que assisti o editorial de Tadeu Shimidt. Eu senti as dores da rede Globo. Mas a Dani me fez ver que os dois lados estavam errados.

Os dois lados demonstraram o verdadeiro jeitinho brasileiro. O Dunga por não segurar a boca, os repórteres da Globo por desrespeitarem o técnico da seleção. Simples assim, né Dani? (interna)

Da história de brinquedo ao raciocínio lógico

Sem medo de parecer apaixonado, digo que Toy Story 3 é uma experiência de vida
Pensei que assistiria um filme ótimo, como qualquer outro da Pixar. Carros, Up e tantos outros permearam nossos sentimentos. Mas esqueci que Toy Story acomapanhou meu crescimento, e que ele é a menina dos olhos da Pixar.
Com a saga, eu não aprendi só a cuidar bem dos meus brinquedos. Essa foi só o cano de escape dos roteiristas para muitos outros panos de fundo.
Com a lucidez do Andy, e principalmente a fuga da realidade que ele usa ao adentrar no mundo dos brinquedos eu reforço muito a minha tese da mitopoética, iniciada por C.S. Lewis com as Crônicas de Nárnia.
Clive Staples Lewis disse certa vez, respondendo a uma leitora, que escrever para crianças não é subestimar sua inteligência, mas criar mundos para que os pequeninos saibam quando podem começar a brincar e o limite da realidade.
No primeiro filme, Andy é uma criança que está descobrindo a imaginação, e usa os brinquedos como ferramenta do processo criativo. No segundo, Andy está mais maduro, no sentido de usar a imaginação. O filme mostra bastante esse processo logo no começo das películas. Observe que no primeiro a brincadeira acontece no quarto do Andy e no segundo já se passa no quadrante protegido por Buzz. Entendo essas sequências como um avanço temporal na mente do Andy.
Cada filme é capaz de transmitir uma experiência pessoal. Conversando com amigos na saída da sala, na estreia de Toy Story 3, contávamos nossas alegrias e decepções com o cinema. Comentaram sobre a “barbaridade de Nárnia”, mesmo sem saber que sou fã. Mas pensando bem, não sou fã dos filmes, mas da série toda. Porém ver os filmes realizados na sala de projeção faz pensar-me que a obra cristã de Lewis está sendo transmitida para milhares de pessoas.
Toy Story tem significados diferentes para cada um. Para eu que cresci assistindo os filmes, e assistindo muitas vezes, é emocionante ver a continuidade dos personagens, Andy se despedindo da mãe, indo para a faculdade; talvez por ser só quatro anos mais velho; passei pelas mesmas fases. Descobri junto com o Andy a imaginação, criei mundos, deixei meus brinquedos e cresci, contudo sem deixar meu lado criança.

Sim, senhor presidente

Filme nacional tem Thiago Lacerda como Brad Pitt e Milton Gonçalves como Danny Glover só faltou a Amanda Peet para completar o roteiro americanizado
Milton Gonçalves é o primeiro presidente negro do país, mas também um presidente sem razão assim como todos que já passaram pelo planalto
Quando alguns brasileiros enchem a boca para falar “vou ao cinema assistir um filme nacional” logo no pensamento já se arma toda uma teia de raciocínio, como uma estética característica do novo cinema tupinikim alcançado em “Cidade de Deus” e “Linha de Passe”, por exemplo. Filmes que assisti no cinema.
Era o que eu esperava em “Segurança Nacional”, filme assinado por Roberto Carminati, desconhecido no cenário do cinema no Brasil, porém já assinou vários documentários como “A Amazônia: De Gazlvez a Chico Mendes”. O filme foi rodado em 2006 e chegou só agora nas telas de cinema, tem a lista de atores todos globais, mas por incrível que pareça a Globo Filmes não está por trás do projeto inicial, só foi a responsável pela trilha sonora da película.
O filme decepciona porque parece que andou na contra mão dos já produzidos no território do samba. Não segue uma estética de cortes e edição definida, não estabelece alguns planos de enquadramento, uso roteiro pífio e falho. Mas o principal e o que mais chama a atenção é a semelhança que o filme dá aos atores um ar hollywodiano, no sentido do roteiro, sentido que os filmes brasileiros nunca antes abordaram.
Lacerda, sem graça, é o típico salva pátria norte americano

Thiago Lacerda é o típico herói que salva a barra da nação dos terroristas, Milton Gonçalves é o presidente ufanista que quer morrer na capital do seu amado país. Ângela Vieira é a calculista e diretora da Agência de Inteligência, mera coincidência com algum filme que você já tenha assistido? É claro que sim, mas nunca vimos essa história, antes por ela se passar no Brasil.

Por mais que o filme seja falho, apresenta sequencias fantásticas. Por um momento o diretor de fotografia mostrou algo que sempre tive curiosidade de ver, o que para mim valeu o ingresso ao cinema, a visão do Palácio do Alvorada, não de fora como estamos cansados a ver, mas de dentro para fora, como nunca antes tinha visto. No momento em que o Brasil está sendo ameaçado o primeiro presidente negro do país coloca a mão na parede de vidro e o ângulo mais perfeito do cinema nacional é criado, Milton Gonçalves parece tocar na gigantesca bandeira da esplanada.
Outro momento quase emocionante, porém com pouco tratamento de arte e imagem, é quando o presidente discursa em rede nacional e fala que o país está sofrendo ataque de terroristas, impossível não lembrar de “Armagedon”, quando o presidente norte americano discursa inflamadamente reunindo milhares de telespectadores ao redor do mundo. Porém a sequencia nacional poderia ser mais aprofundada no quesito artisticamente.
Resumindo, se no Brasil tivesse o “Frambuesa de Ouro” Thiago Lacerda com certeza ganharia o de pior ator e o “Força Nacional” ficaria par a par com “As melhores coisas do mundo”, outro grande erro nacional.
Mas sou racional e sei que é errando que se aprende. O Brasil já caminha algum tempo para um novo cinema, está tentando achar seu rumo. A imprensa é um pouco culpada sim por voltar seus olhos tanto para fora, e as organizações Globo tentanto nacionalizar a cultura Pop, coisa que todos os meios de comunicação deveriam fazer.
Ps. O filme tem apoio da Defesa Civil e da Presidência da República, coisa normal nos Estados Unidos.

Sobre o crítico dos críticos

Muitos renegam a paixão humana sobre os excessos cometidos nos inflados discursos. Há aqueles que se preocupam demasiado com a vírgula, e os que não acentuam direito. Nesses dois casos existe o crítico para realizar o seu papel na sociedade. Regrar excessos e deixar de lado as atitudes que deram certo, na maioria das vezes.

Não é que o papel desses seja desproporcional. Mas aqueles que se destacam de  um monte de porcaria que vemos na internet. É o pensamento fugaz e verdadeiro, de admitir que uma pessoa não pode comentar sobre tudo, até pode, mas existem coisas que não posso me meter, talvez por não ter uma base teórica sobre o assunto em questão.

O crítico precisa ter chão, para cair no ostracismo ou se sustentar na glória. Ser crítico não é adotar uma postura sanguinária de guerra, entre tudo é necessário analisar e dar soluções às palavras que foram comentadas, isso com brilhantismo de ideias.

Não somos uma bolha, mas estamos inseridos nela. Fazemos parte de uma sociedade hipócrita, mas não somos hipócrita, só aceitamos a hipocrisia alheia. Só é preciso refletir para não cometer os erros que, por muitas vezes, já foram cometidos.

Sobre o crítico dos críticos, digo: “você não existe”, ou queira existir, por favor. Seja então para nos ensinar, vê e tudo analisará, desde que tenha olhos de verdade, de humano.

Saúde em Foz do Iguaçu, minha nano experiência

Quando meu corpo resolveu ficar ruim ele logo deu uma dica: dores de garganta e cabeça. Tudo bem, fui a farmácia, tomei um daqueles remédios para dor muscular e fui tomar um chá em casa. Mas no outro dia a garganta amanheceu pior que uma couve-flor, e pude contar todas as minhas articulações. Em um caso semelhante uma pessoa da classe média alta corre para o médico particular, aceito pelo plano de saúde, já a da classe média corre para o hospital particular a procura de um médico especialista. O meu caso corri mesmo é para o Sistema Único de Saúde (SUS).

5 horas
– Foi o tempo que levei para ser atendido, e parece ser o tempo médio de atendimento, segundo conversas que tive com as pessoas que também buscavam atenção médica. Às 10h do dia 29/05 chegamos (Eu, minha mãe e minha irmã) ao Pronto Atendimento do Morumbi, preenchemos a ficha com as atendentes, depois pediram para aguardar, pois fariam a minha triagem para avaliar pressão e temperatura.

Enquanto não me chamavam eu e minha mãe atentos, detalhistas e críticos que somos começamos a avaliar o sistema que estávamos inclusos. As construção da Unidade não era antiga, foi inaugurada nos primeiros anos do primeiro mandato do prefeito Mac Donald, inaugurada não, melhor: reformada.

Pontos positivos: uma recepção grande; clarabóia – permite uma iluminação natural boa, sistema informatizado – pelo menos é o que parece, pois os computadores estavam ali, mas minha ficha foi feita a mão pela recepcionista; bancos – não são todos os lugares públicos em Foz do Iguaçu que tem a honra da graça de um banco para o munícipe esperar ser atendido; água – mesmo sem ter copos descartáveis quem leva um na bolsa pode usufruir do líquido.

Pontos negativos: Pouca ventilação, e as portas que ficavam abertas eram constantemente fechadas pelas recepcionistas. Mesmo com a clarabóia o lugar estava escuro e as luzes acesas, as portas de vidro, se não estivessem pintadas de verde, poderiam ser grandes aliadas para um local mais vivo. Os bancos não são de um material muito higienico, ficando marcadas quando desgastadas. Ao lado da recepção havia um “beco” – que preferi ficar pois apresentava ser mais arejado, mas o local não era nada convidativo, pois dava de cara com o lixo, não posso afirmar que seja o lixo hospitalar, mas as caixas de lixo hospitalar estavam à mostra. Como ponto negativo cito também as recepcionistas e todos os funcionários da Unidade que com muito desprezo nos atenderam, mas sem contar o médico que foi muito prestativo, todavia que merece uma descrição mais profunda sobre o seu “pré-atendimento”. O local não parecia ser limpo há dias, porém eu vi duas zeladoras usando vestimentas não apropriadas – chinelo de dedo, em vez de botas de plástico cano alto, e saia – o correto seria calça para proteger as pernas – o que dá a dica que não estavam realizando suas atividades.

Após 1hora e 30min de espera para a triagem anunciaram: “Garon de Souza” lá fui eu, para um lugar que mais parecia uma “ante-sala”, que foi feita as pressas em um estado marcial, fabricada de divisória. A enfermeira me olhou, olhei para ela e captei a mensagem, teria que colocar o termômetro e tirar uma blusa. Ok, ok… triagem realizada. No termômetro 37,8º.

Após isso, eu sem conseguir falar uma só palavra, vendo o mundo girar e tudo mais, fui ver um lugar confortável para eu poder esperar o médico. Agora no relógio: 11h30. “Ótimo, até ao meio-dia já estarei em casa para almoçar”, pensei. Mas que nada, eu não poderia esperar por essa…

Fechado para o almoço – Nem os bons comerciantes fecham para o almoço, mas aqui não é um comércio, né? E sim, uma Unidade de Saúde, pode esperar para ser atendido, tranquilo! ((NOT)). Ficamos sabendo que os médicos trocariam de turno e que teriamos que esperar por outro que chegaria depois do almoço. Pois bem, eu que não aguentava ficar sentado nem de pé, deitei em um banco ali no “bequinho”, para aproveitar o sol e ver se melhorava.

A consulta – Aconteceu às 15h, mas me chamaram às 14h30 junto com um grupo de pacientes. Fomos para um lugar mais arejado e claro que o hall de entrada, porém menor. Bom, a enfermeira que nos chamou garantiu que o médico estava ali dentro da sala e disse que ele nos chamaria, ok! Para que duvidar, né? 5 minutos depois, nada de nos chamar. Mas um fato que chamou atenção dos pacientes que estavam sentados diante do consultório: Uma elegante mulher bateu na porta da sala e nos perguntou: “Ele está aqui?”, respondemos afirmativos, pois foi isso que nos informaram. Voltou a bater na porta , abriu e enfim entrou. Lá dentro barulhos estranhos, 15 minutos depois: ainda barulhos estranhos. E nós, pacientes, não entendendo nada. Barulhos de chaves, barulhos de chaves, enfim a porta se abre, e a mulher muito sem graça sai. No intervalo que ela ficou lá dentro perguntamos para a enfermeira quem seria aquela mulher que entrou no consultório, a enfermeira nos respondeu que era a mulher do médico, ficamos desconfiados, “Em horário de expediente o médico brigando com a mulher, e pode isso?” Depois à primeira mulher a ser consultada o Dr. pediu desculpas pelo inconveniente e disse que não queria comentar o caso, a paciente perguntou para ele se e mulher era sua mulher e ele negativou. Esse ato me fez concluir onde chegou a saúde de Foz do Iguaçu, se até a amante do médico o procura para brigar no consultório da Unidade de Saúde do SUS.

Então, após quase cinco horas analisando – e passando mal, fui atendido (consulta médica) o médico fez lá sua receita e disse que os remédios seriam disponibilizados ali mesmo. ÓTIMO! Sai do consultório e fui procurar a farmácia do posto, não me assustei porque não fiquei indignado quando encontrei a farmácia fechada, “trocaram de turno agora terá que esperar o outro rapaz chegar”, nos explicaram. Não perdemos tempo em esperar o atendente atrasado, fomos em uma farmácia particular.

Eu bem sei que a saúde pública sempre fui assim, sem higiene nos corredores, sem vida nas paredes – e nos atendentes. Mas fico mais indignado com um executivo que diz estar trabalhando para a melhor saúde do país. E que não consegue humanizar os locais. Uma boa dica que meu pai disse e eu achei ótimo: “Porque não colocam um documentário sobre saúde na tv para os pacientes assistirem?”, pode parecer um comentário pequeno e sem importância, mas é bem isso mesmo. Pelo menos as minhas cinco horas não seria tão desagradável, mas não só isso. É necessário tratar o humano com o respeito que o mesmo exige.

Não é pedir muito – Um lugar mais arejado, mais limpo, com rotas de trabalho definidos, penalidades no atendimento, capacitação profissional, uniformes para os servidores – área de saúde é fundamental. Ouvir os profissionais que estão atuando no local também seria ótimo porque só eles sabem das necessidades 24h.

No título, “nano experiência”, quis manifestar que isso foi um “pouquinho” do que acontece diariamente, o que eu pude sentir e ver apenas 5 horas. Fiquei revoltado, mas uma revolta de poder ajudar em algo.

Enfim, foi desgastante psicologicamente principalmente por saber que o sistema não consegue mudança, não há atitude do governo para que isso se resolva. Milhares e milhares de pessoas passam mal por dia e não encontram um lugar público decente em Foz do Iguaçu para serem atendidas. São pessoas simples, sem voz ativa, elas reclamam sim, mas não são atendidas. Não queremos luxo, queremos dignidade. Entenda!

Da hipocrisia racial

Parece que sobre hipocrisia não tem o que se discutir, sobre o fingimento não há o que dizer, mas. Pessoas hipócritas existem e se manifestam “aos tantos” em nosso meio. Muitas vezes nem é no falar, mas sim, na maneira de agir.
Para tirar os hipócritas da nuvem das ideias, surgiu o racionalismo quebrando as correntes e permitindo que os homens pensassem um pouco mais para atingir uma lógica. O operação mental então ganha um novo nome. A partir daí o homem começa a brincar sobre probabilidades. O liberalismo começa a tornar-se mais abrangente.
Tá, eu discorri sobre o racionalismo para chegar a teoria racial. E o motivo foi brincar com a raiz: raça; presente nas duas palavras. Raciocinar não é radicalizar, e sim buscar alternativas. O conceito raça, vulgar, ultimamente em desuso foi originalmente usada para determinar as diferentes populações.
Raça = diferentes = não há mistura = branca, preto, amarelo = distribuídas
Não é que eu goste de falar sobre racismo, mas acho que esse é o que o precisamos mais mudar, em nós: seres.

Vamos jogar nossos certificados no lixo!

José Hamilton Ribeiro
Seis Esso: "Faculdade de jornalismo é uma bosta"

Calma, toda qualificação é importante. Sou daqueles que defendem o diploma no curso de jornalismo e em qualquer formação. A preparação para o mercado profissional é, certamente, a melhor maneira de se colocar na competição, juntamente no pelotão de elite, talvez. Mas e quando o mercado não coloca em prática nada do que realmente aprendemos na faculdade?

Aí que está a questão, falo do jornalismo porque é uma área que me interessa e claro, trabalho com. Aprendemos tantas coisas na faculdade, será inútil?. Não quero entrar no mérito da questão, somente que os praticantes do jornalismo estão muitos distantes dos que aplicam. A teoria está longe da prática, é isso que eu vejo.

Esses dias em um bate papo descontraído, antes de uma entrevista, o jornalista José Hamilton Ribeiro, disse a uma amiga para jogar o diploma no lixo, mas como ainda ela era estudante, comentou sem delongas: “Curso de jornalismo é uma bosta”. Eu fiquei me perguntando o motivo dele ter dito isso. Estudar jornalismo é mesmo uma bosta? As cátedras são ruins? Não cheguei a nenhuma conclusão. O ganhador de seis prêmios Esso causou essa confusão em minha cabeça, bem em um momento que por motivos de poderes maiores, estou inabilitado de terminar o meu curso superior.

Mas eu bem que conclui algo lendo a Veja (09/05). Na capa, nada de imparcialidade, o motivo disso? Eu sei, o mercado da imprensa. Mas talvez é este mercado que jogou o diploma do jornalismo no lixo e diz todos os momentos: “Certificado é só para colocar na parede”. Mas digo que as merdas feitas pelo mercado devem ser limpas com ele, o diploma, que pelo menos mostra que alguém foi qualificado e no mínimo teve aula de ética no currículo. Ou só existem jornalistas comprados pelo sistema?

Do crossfade ao off

A câmera me deu uma nova perspectiva sobre a matéria
Sempre me interessei por todas as áreas da minha profissão. Comecei como repórter, mas logo fui apaixonadamente jogado na cinegrafia, depois na edição. Pesquisei, e desamparado logo estava lá, eu sendo sugado pelos efeitos e transições do Premiere.
Algumas semanas em seguida, pegava a câmera na redação, gravava o off e editava. Porque eu sempre pensei, e penso até este momento, que um bom jornalista tem que conhecer todas as extensões. Do texto a imagem, do crossfade ao off, do lide ao reverso, da passagem a linha fina.
Sabe o motivo de eu pensar assim? Foram os pitacos de ‘grandes’ jornalistas que se diziam bons, todavia que na verdade nunca seguraram um microfone, nunca organizaram suas idéias. E estão aí, sobrevivendo de pitacos.
Lindos, quero mais me aprofundar, vejo que não leio como deveria. Confesso que o último que li sobre jornalismo foi “Não somos racistas” do Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo. O título do livro me atraiu, mas terminei o livro muito intrigado. Realmente, se Kamel mora no Brasil, ele deve enxergar a população do alto do Corcovado.
Estudei alguns anos em rede pública, confesso que não conheço a realidade de outras cidades, mas eu sei que a escada racista ainda existe em escala profissional e educacional.