Tudo, sobre as etapas da vida

Sempre fui muito criticado por usar ou tentar unir a teoria racionaria com a emotiva. Quem acompanha este blog, sabe o quanto eu admiro autores que mesclaram a fantasia com a realidade para um produto de qualidade.

Eu realmente acredito que tudo que vivemos e sentimos é fruto de uma conquista prática pautada pela emoção e razão. Onde a emoção, por muitas vezes, delimita o fantasmagórico positivo, e a razão o lado mais imagético, quando conseguimos tocar e experimentar.

Esses dias, estava chegando em casa, colocando a chave na fechadura.

Abri aporta.

Senti o gosto da borracha do pneu do meu carrinho de corda que brincava quando tinha 6 anos.

O gosto veio tão forte que chorei de emoção e saudosismo.

Corri para o quarto, olhei de baixo da cama, onde costumava deixá-lo escondido, mas não o encontrei.

Alí só haviam revistas e livros.

Percebi como deixei a minha infância de lado, e como cresci. Mas a conclusão que vi nessa história foi porque eu deixei a minha infância? Onde estava o Garon quando pequeno? E quais eram as expectativas dele para o meu futuro?

Vi-me duplicado.

O primeiro, um garotinho gordinho, chorando, esperando que tudo melhorasse. O segundo, um cara de 21 anos, fazendo algumas coisas e ainda esperando que tudo melhore.

Chorei.

Chorei não porque estou triste, mas com medo dessa alegria desaparecer.

Bolha de sabão. Cria expectativa, fica linda, colorida, voa e desaparece.

Razão. Pensa, projeta, faz.

Emoção. Faz sem medo.

Sobre a morte e sua aceitação

A primeira vez que eu escutei Amy Winehouse tinha certeza que era uma negra cantando. Digitei “Rehab” no Google, fucei por imagens e lá apareceu uma mulher branca, e que por mais excêntrica que seja, chamou a minha atenção.

Tudo começou em 2007, ano de lançamento de Back to Black e desde lá espero o lançamento de um novo CD, como se esse novo álbum pudesse ser um renascimento para ela.

Sempre falei “Amo a Amy”. Mais que pelo estilo de música, mas pelas mensagens sinceras nas letras das músicas. “Tears Dry On Their Own” é para mim, ao mesmo tempo que uma apresentação de um desgaste, uma manifestação de esperança, por causa dessas duas estrofes:

“I wish I could say no regrets

And no emotional debts”

Sobre a morte de Winehouse, foi tudo muito triste, muito rápido e muito sofrido. Mentirei se falar que estava esperando a sua morte. Achava que ela poderia se recuperar, lançar outro álbum e reviver.

Rosana Herman do Querido leitor fez um texto brilhante sobre, retratando a escolha de Amy:

“Não escolhemos o que somos. Nem os talentos, nem as fraquezas e doenças. A gente tem que aprender a lidar, a controlar, a se tratar”.

Todos viram o desgaste da Amy, como ela entrou na depressão e como a droga a consumia. O ex-marido da cantora até confirmou que foi ele que apresentou a Cocaína. Mas ela não soube se controlar e nem quis saber de reabilitação.

Onde estava a dor, que a sufocava cada vez mais? Pq ela preferiu a morte a vida? Essas e tantas outras perguntas aparecem sem ter ao certo uma resposta definitiva.

Como em tantas outras mortes, uma prova de observação fica para a vida. Com a morte de Amy, relutância é a palavra.

Enxergo, pois, que devo sempre lutar contra a depressão.

RIP. Amy Winehouse. Uma pessoa que não lutou contra, mas mostrou a triste realidade.

Como nunca

Pensamentos e mais pensamentos invadem a minha mente como desenhos rupestres habitam as cavernas antigas.
A Flor reluz e quase se confunde com o tom avermelhado do céu. Meus olhos à Flor. A Flor nos meus olhos.
É o tempo, é a morte, é avida em uma só pétala. São os sonhos nas folhas.
É o universo nas raízes.
O som nasce… É um grilo, um sapo, um lobo, são os pequenos insetos na luminária de nafta.
Agora volto a escutar ,como nunca, o mar quebrando e tornando migalhas as pedras.
É o roçar do vento nas árvores. São as árvores cantando. São os animais falando. São os habitantes murmurando.
Respiro e sinto o poder exalando do chão, o poder que é canalizado para o bem, o poder que sustenta o universo, é esse o poder que mantém a tranquilidade.
A tranquilidade das crianças correndo sem perigo. É o amor dos casais. É a alegria dos jovens. É o sustento dos mais velhos. É o começo e o final de todas as coisas, o combustível das riquesas, a poesia dos poetas, o algo misterioso dos ferreiros, o segredo dos carpinteiros, o sexto sentido das mães, o alívio dos desesperados.
É a paixão.

Tudo, sobre a desilusão

Ela estava do meu lado com um olhar sólido voltado ao nada.

Eu estava sentado na beira da cama.

Entreguei o presente.

Abriu. Sorriu.

Passei os olhos por todo o quarto. A dor me incomodava, insuportável dor.

No coração, milhares de sentimentos. Borboletas já não estavam mais no estômago, mariposas na garganta.

Abracei as minhas pernas, inclinei a cabeça com uma lágrima, criei coragem e disse: “Porque tem que ser assim?”.

Uma leve resposta, que eu não gostaria de ouvir.

“Já deveríamos ter conversado sobre isso”.

“Sim, o amor acabou, não é?”

Série Paris, je t’aime

Conhecendo as curiosidades de Paris

Estou devendo este post (que deverá ser uma série) desde que voltei de Paris, no final de abril. Mas confesso que desde que cheguei de férias não tive tempo para nada. Muitas coisas pessoais e profissionais se sucederam.

Umas para o meu bem, e outras me colocaram em uma profunda depressão. E quem me conhece há pelos menos 2 anos sabe da minha luta contra esse incrível mal.

Tá bom eu confesso, chorei ao avistar a Torre Eiffeil.

Os dias em Paris foram, como tenho dito a todos que me perguntam, os melhores dias da minha vida. Foi uma viagem incrível, sem nenhum transtorno e obstáculo.

A família que me recebeu na França me deixou muito a vontade e só tenho o que agradecer a ajuda excepcional que me deram.

Vou tentar dividir este post em uma série, pois tem muita informação. Hoje vou tentar falar sobre um dos passeios que eu fiz por lá, o tour por Montmatre, uma região de Paris.

Montmatre – A periferia mais cultural do mundo

Rue Lepic, a mais elevada de Paris. Uma viagem pelo tempo e pela história de Montmatre

Montmatre (Pronuncia-se MON MATRE) hoje é um bairro onde está a maioria dos bares, cabarés e sexshops de Paris, mas por de trás desse estereótipo está escondida muita arte e história.

Eu fiz um tour guiado pela região oferecido pela empresa New Paris Tour e recomendo bastante. A empresa tem vários tours guiados, o mais famoso é o City Tour Free, com saída da Pl. Saint Michael com duração de aproximadamente 4 horas, tudo a pé pelo centro da cidade. (Não perca o próximo post que vou comentar sobre ele)

Voltando ao tour por Montmatre, o passeio começou na frente da StarBucks, próximo a linha de metro Blanche. Saindo do metro eu já dei de cara com o Moulin Rouge, não tem como não lembrar das referências do filme, neste momento eu lembrei da Daline Aguilera, uma super amiga que adora o filme.

Cheguei em cima da hora no local, pois antes eu tinha ido para os jardins de Louxembourg e passei a estação e fui parar no Stade de France, ótimo pois já conheci um dos maiores estádios da Europa, super moderno! Perdido, tive que sair e entrar novamente na estação para voltar para Blanche. Foi uma aventura bem legal. Em Stade de France conheci uma francesa professora de Francês da universidade de Sobourne que foi super gentil e quis saber mais sobre a cultura brasileira. Uns 15 minutos que ficamos conversando eu disse sobre a regionalização, sobre o Amazonas e comentei que o Brasil não é só samba e caipirinha. Foi uma conversa ótima.

Chegando pontuamente em Montmatre, a guia que nos acompanhou se apresentou. Uma colombiana que já mora em Paris há 5 anos por causa da faculdade de artes.

Começamos nosso passeio

Uma das primeiras paradas foi em frente ao bar onde foi gravado o filme Le fabuleux destin d’Amélie Poulain – um filme que fez com que eu enxergasse o mundo de forma totalmente diferente.

Pausa para a emoção.

Corri lá dentro do bar e tirei uma foto, não deu tempo para tomar nem sequer um cafézinho espresso :/.

O filme foi rodado em 2001, e o diretor do filme negociou com o dono do estabelecimento durante 3 anos para poder rodar ali. O que na verdade acontece é que onde o bar está localizado é um lugar bem crítico, é a única rua que dá acesso para os carros até a basílica de Sacre Couer, que fica no topo da elevação. Paris é uma cidade muito plana, mas Sacre Couer foi construída em uma colina e a rua mais íngreme é a rua da cafeteria “Les Des Moulin”, o bar da Amélie.

(Continua)

Choque cultural e suas acepções

Depois de 11 horas de voo o que eu mais queria era um banho quente, mas lembrei que estava na França – e que o banho poderia até ser quente, mas deveria ser muito rápido. Como em um flash, me veio a mente: “questão de cultura”. Aqui não preciso mais de um banho quente e demorado para me sentir bem, mas sim de uma tarde degustando queijos e tomando vinhos. Comecei a entender aquele termo, que até então povoava os livros.Em uma rápida busca no Google, “Choque Cultural” é definido como “quando uma pessoa é retirada de um meio cultural a que está acostumada, para viver em um outro país com hábitos, costumes e tradições diferentes”. Já na Wikipédia, o termo remete à ansiedade e sentimentos (de surpresa, desorientação, incerteza, confusão mental etc.) vivenciados quando as pessoas têm de operar dentro de uma cultura ou ambiente social.

Sei que em toda viagem que se faz, seja para o exterior ou mesmo para as regiões doBrasil, se está predisposto a ter algum choque de cultura. Na alimentação, linguagens e comportamento das pessoas, o mais curioso e engraçado, mesmo, é saber como essa pessoa passou por essas diferenças de costumes e como agiu com essa “confusão mental”.

No primeiro dia na França, meu senso de curiosidade estava aguçado. O de comunicação, porém, nem tanto. Fiquei com os olhos bem abertos, pois queria retirar dali toda informação visual possível. Após percorrer os olhos pelas ruas, não pude deixar de notar os carros estacionados nas calçadas. Coisa inadmissível no Brasil, não é? Pois muito comum na Europa, pela questão de falta de espaço. Motoristas agradecem o estacionamento na calçada e pedestres não reclamam. Estranho para nós – pelo menos foi muito diferente para mim, e para eles aceitável.

Depois de entender um pouco a logística do sol à pico às 15h, fui notar que a principal refeição do dia é o jantar, regado a queijos vinhos. Acontecimento cheio de rituais. Sentar-se somente depois do anfitrião, brindar olhando nos olhos, esperar o camembertpara limpar as cordas vocais e degustar o roquefort para abrir as papilas gustativas para junto com o vinho encerrar os pratos salgados e depois harmonizar com a glacée (sorvete do petit gateau). Depois de horas conversando sobre o dia, aleatoriedades, mas principalmente sobre a comida, encerrada a refeição – tudo uma delícia.

Se para os brasileiros o café da manhã ou o almoço é a principal refeição do dia, os franceses fazem do jantar mais que um evento gastronômico, um evento social.

A caminho de Versailles, fiquei imaginando o rosto da glória de Luiz XIV se confundindo com o rosto da vergonha da pequena criança agredida dentro do ônibus

Acompanhado de amigos que estão morando na França há mais de 10 anos, fomos ao palácio de Versailles, o maior do mundo. No caminho que presenciamos um momento bem desagradável: uma mãe sem saber como lidar com o filho, dá um tapa no rosto da criança. Coisa que eu nunca vi no Brasil, no rosto! Injuriados, refletimos porque a mãe não deu um tapa no bumbum, no rosto é tão degradante e falta de respeito. Minha anfitriã me revelou que já havia passado por uma situação parecida e teve uma resposta inusitada da mãe que batia na criança. “Existe coisa mais íntima que o bumbum?! No rosto todo mundo vê a marca do vermelho, causa vergonha, o bumbum não”. Pausa para reflexão.

Esses e tantos outros exemplos que eu poderia citar aqui só me fez pensar como somos diferentes, mas ainda precisamos conviver melhor com as “anormalidades” que às vezes só diferem do ponto de vista de quem está observando ou da cultura em que a pessoa está submetida.

*Este post foi originalmente publicado na Revista Dois Pontos

Preto de vinho, vermelho de solidão

Ando escrevendo algo para o meu primeiro produto de dramaturgia. Experimentalmente estou chamando a peça, que será um diálogo entre um homem e uma mulher, de “Preto de vinho, vermelho de solidão”.

A peça é intimista e contempla uma passagem da vida de todos nós, a depressão. Influenciado pela cultura da internet, tive a ideia de postar tudo que produzir, para ser usado por qualquer Cia, sem a necessidade de pagamento de direito autoral, mas citando a fonte.

Ainda não vou postar a obra toda, mas um pequeno trecho, pois falta discussão e correção de meu professor, o Dramaturgo Luiz Henrique Dias e devida autorização.

– Sinto que estou usando ela agora

– E por que quer usar ela em mim?

– Talvez porque não sinta mais nada por você

– É essa a dúvida?

– Talvez

– Sente medo ou coragem demais?

–  Não quero perder outra pessoa

–  Mas sente dúvida?

– Você já ameaçou estragar meu coração

–  Já tive a oportunidade de fazer isso antes, mas nunca fiz. Pedi um copo de solidão.

– Você teve medo de usar e preferiu o vinho, que nunca havia tomado

Confesso para vocês que fiquei super com vontade de ver o produto corrigido e sonhando com a peça montada. Minha amiga, crítica e produtora cultural Mariana Serafini deu algumas dicas sobre a iluminação do teatro e comentou sobre o efeito negativo das falas curtas, eu também acho que é um pouco desagradável ter diálogos pequenos, e eles são sempre muitos diretos, mas talvez seja esse o efeito que eu gostaria de passar, uma indelicadeza forte e rude.

Quando o produto estiver 100% posto ele na íntegra.

Sobre o nojo e minha lição de moral

 

Escrever uma autocrítica não é fácil, mas é necessário e preciso. Preciso da ordem de precisão, evidente e lacônico.  Evidente de evidenciar um problema. E quem abriu a minha mente foi uma grande amiga – se não a melhor amiga, a Daline Aguilera, em um bate-papo por msn.

Tudo começa com uma pergunta que não consegui dar resposta devido a gravidade da situação e da ocasião. “O quê é o nojo para mim?” “O que é nojento?” “E até onde vai o caráter das pessoas, neste caso o meu”. A primeira resposta demorou para aparecer, mas veio. De certa forma pariu em minha mente de forma sucinta. “Nojo de infecção, de sujo e incomestível”, foi o que eu pensei por primeiro. Me fez lembrar de todo o meu pensamento moral, da questão de fuga. Sempre fui adepto que a melhor forma de ganhar a pessoa é se aproximar para passar a minha forma de pensar, mas neste caso fiz o contrário e deu tudo errado.

Pensei e falei errado. O algo nojento para mim sempre foi a reação de aproximação, pois já senti na pele a reação das pessoas de asco e repulsa. E é o último sentimento no mundo que quero ter em relação a uma pessoa. Mas que no final da história sinto por mim mesmo.

Sobre o meu caráter, realmente foi duvidoso e inconstante. Quem me conhece há mais de dois anos, sabe da minha pregação pela simpatia e humildade. É o que está faltando, reconheço. Parece que a virtualização tem me deixado fosco, sem graça, sem cultura e superficial.

Sem falar da minha memória, que anda uma desgraça.

Porém, partindo do pressuposto que nunca é tarde para recomeçar. Eu estou disposto. E quero fazer.

“Deve-se aprender a caminhar antes que se possa correr” C.S. Lewis

 

As personalidades da cultura de Foz do Iguaçu em versão 2.0


Muitos moradores de Foz do Iguaçu reclamam que a cidade não tem uma identidade própria, outros exclamam positivamente que é essa falta de história que caracteriza o povo iguaçuense.

Na verdade o que eu acho mesmo é que nenhum desses dois lados estão corretos. O primeiro não valoriza o que a cidade já conquistou sentimentalmente, pois fisicamente em questão de museu ou teatro realmente poucos exemplos se salvam. O segundo lado que exalta a falta de história local não consegue enxergar, ou não vê a possibilidade da região ser rica culturalmente e se acomoda.

A acomodação e a exclamação de que a cidade não produz cultura me irritam profundamente. Convivo e vejo todos os dias pessoas lutando pela valorização da arte, pessoas que só vivem produzindo cultura e as outras deitadas no próprio umbigo nada enxergam, pois estão presas no negativismo.

Então para mostrar que Foz do Iguaçu tem pessoas de peso atuando, produzindo e estão no caminho certo, caminhando contra e falta de estrutura e precariedade dos serviços públicos resolvi levar para o meu trabalho uma proposta. Uma série de matérias focadas nas pessoas, em iguaçuenses e outras que encontram em Foz do Iguaçu um lugar para viver e se manifestar a favor da arte.

Em guaraní, Nanbiquara é a fala da pessoa inteligente

Na redação do Clickfoz discutimos a importância da série, realizamos um sarau amplificado. A Mariana Serafini prontamente foi buscar os contatos. Em uma folha começamos a rascunhar e lembrar das pessoas que seriam entrevistadas, dividimos em tópicos e atuação das personalidades. O Vilmar Machado fez a arte e sugeriu que nós batizássemos a série. Pensamos em localizar com as raízes de nossa cultura. Nada melhor que um nome em guaraní. Achamos então “Nanbiquara”- assim mesmo com N, ideal. Nanbiquara quer dizer fala de pessoa inteligente. Definiu o nosso trabalho. Eu comecei a pensar na estética das entrevistas e na pós produção das matérias.

Ok? Primeira entrevista marcada, a Mariana Serafini sugeriu a escritora Jeane Hannauer. O novo livro de Jeane seria o chamariz para a entrevista, mas o foco seria a produção dela a nível estadual e nacional. Muito simpática e falante, Jeane nos recebeu com os braços abertos. A entrevista foi super gostosa e a música simples de Angus and Julia Stone deve ter embalado os pensamentos da Mariana.

A segunda entrevista foi muito reveladora para mim. O Beto Virgínio me fez voltar no tempo e conhecer curiosidades dos bastidores da produção artística de Foz do Iguaçu.

Outras matérias já foram postadas na série, todas revelam curiosidades, exprimem sentimentos e são um rico conteúdo para a nossa falha memória de consumistas incautos da arte.

Nas lentes da câmera do Clickfoz, as artes de Foz do Iguaçu sendo retratadas

O ponto de ônibus mais utilizado pelos turistas na avenida das cataratas não existe

O transporte coletivo urbano e eu

Colado na porta da geladeira estava os horários dos ônibus que passam em frente de casa, Novo Horizonte e Parque Nacional, linha 400 e 401. Nunca tive preocupação e nunca esquentei a cabeça com os horários do transporte para ir ao trabalho. Calculava sempre os minutos que ele gasta ao sair do Parque Nacional ou da Vila Carimã e pegava o ônibus há alguns passos de minha casa, localizada no Jardim Dona Amanda, na Avenida das Cataratas. Privilegiado sou, pois em no máximo 15 minutos chego ao centro, com uma rota simples: O ônibus percorre a avenida, depois a Schimmelpfeng, a JK até finalmente chegar ao TTU para fazer o caminho contrário. Não é difícil nem leva muito tempo.

Dificilmente ele atrasava e dificilmente eu tinha problema com o transporte urbano para ir ao trabalho (se atente para o verbo no passado), o problema nunca foi esse. Quem é inteligente e sempre usou o transporte urbano sabe quase que de cor o horário de sua rota e o seu percurso. Sabe também onde pode ser melhorado, quais os pontos fracos. O usuário inteligente sabe usar o transporte, ou pelo menos sabia.

Voltando a minha rota diária, para retornar à minha casa sempre tive problema, não sei o motivo para isso, mas no horário de pico, que todos saem de seus serviços ou estão indo para a faculdade, é o horário que apresenta menos ônibus disponíveis. Perceberam? Já fiquei mais de 70 minutos esperando uma linha para voltar para casa. Indignante e revoltante.

Avenida das CataratasPontos de ônibus – Somente comento aqui sobre a minha realidade e a peculiaridade do que vivo e convivo. Não posso falar sobre os estados dos pontos de ônibus no Três Lagoas, por exemplo, pois não sei como estão, pq dificilmente ando por aquelas bandas. Mas os da Avenida das Cataratas eu sei muito bem, indo e vindo pelo local há pelo menos 10 anos.

O ponto que uso é “agradável”, feito para ser parecido com o TTU, foi construído juntamente com a ciclovia – uma das únicas de Foz do Iguaçu, em 2007. Junto com o “novo” ponto veio também o recuo para o ônibus pegar os passageiros. Na época a prefeitura revitalizou 3 pontos de ônibus. O próximo a Crystal, no Hotel Dom Pedro e o outro próximo a churrascaria Rafain, na época a promessa era de que todos os pontos na Avenida das Cataratas seguissem o mesmo padrão. Ficou só na promessa. Os outros pontos nem foram trocados e até hoje seguem da mesma forma. Alguns locais nem mesmo apresentam ponto. O que chega a ser REVOLTANTE.

Sim, na avenida das cataratas, onde eu posso afirmar com certeza que centenas de turistas utilizam o sistema de transporte por dia, precisam enfrentar o sol e até mesmo a chuva para pegarem um ônibus par ir para o Aeroporto, Cataratas, Parque das Aves e Argentina.

Vejo todos os dias turistas com malas grandes embarcando e desembarcando neste local, sem nenhum conforto e segurança, a espera de pé na chuva e no sol

Esse ponto de ônibus, onde não existe ponto, é o local informado pelos –PASMEM, cobradores para que os turistas peguem a outra linha internacional que vai para Argentina. Sempre quando eu vejo um cobrador dando informação para o turista descer naquele local e esperar o ônibus no sol e na chuva sinto vergonha alheia de morar em Foz do Iguaçu.  As vezes me dou de intrometido e digo: “Não faça isso, ali não é adequado, pare no ponto anterior e espere”.

Sem falar ainda de outros pontos inexistentes como o utilizado pelos hóspedes do hotel Turrance, por exemplo.

Outras moedas – O iguaçuense é  muito patriota com o dinheiro, já perceberam? Estamos em um local onde há circulação de várias moedas, mas o munícipe não admite. Diferentemente do comércio da Argentina e do Paraguai, que permite o câmbio do Real, Peso ou Guarani, o brasileiro só quer aceitar o Real, sempre. Em casa as três moedas circulam, meu pai é empresário no Paraguai, então tem dias que só temos guaranies e dólares, quer dizer, sobra esse dinheiro para pagar o transporte também. E quando estou de posse de algum dinheiro estrangeiro para usar em Foz, prefiro morrer. Uma vez o cobrador me fez descer no ponto seguinte pois não ia fazer o câmbio da moeda, o que me deixou revoltado. Imagine uma situação assim com um paraguaio ou um argentino que usa o sistema em Foz? Pelo menos as linhas que fazem o pontos turísticos em Foz DEVERIAM ter uma tabela fixada com os valores dos câmbios.

Linha turismo – Alguns dizem que a linha turismo não existe em Foz por causa da pressão das empresas turísticas receptivas, lenda ou não, deveria existir. Descomplicando a vida de milhares de turistas que visitam a cidade.

Já bastavam muitos problemas, eis então que do nada, surge uma empresa de fora que não sabe a realidade dos munícipes e resolve embaralhar a vida de todo mundo. Entre tantos os problemas que já existiam, e que não foram pontuadas ainda neste texto, causa pânico na população.

Este post faz parte de uma blogagem coletiva proposta por um grupo de amigos que estão descontentes com o transporte em Foz, ainda mais depois que o Consórcio Sorriso começou a administrar o coletivo do munícipio.

Outras ações serão realizadas, como a confecção de um documentário que irá mostrar a penosa vida de quem utiliza os serviços do Consórcio Sorriso.

Leia também o texto da jornalista Mariana Serafini: “R$ 2,40 não dá!

Das cine: Tron e o legado teológico

Na última quarta-feira (de promoção do cinema em Foz do Iguaçu) fui ver “Tron – O Legado”. Confesso que nunca tinha assistido o primeiro filme, mas eu já “meio que conhecia” o roteiro, pois meus amigos nerds já comentaram sobre a “história que talvez tenha originado o enredo de Matrix”.

Com um roteiro pífio, e atuações falhas e grosseiras minha nota para o filme é ***. Dou três estrelas pois os efeitos foram incríveis, e além disso sempre busco ver a mensagem que o filme pode trazer se comparado com a minha crença cristã.

Não comentei aqui sobre o filme “A Origem”, mas achei Tron bem parecido no quesito criação de mundo alternativo para a construção do imaginário. O que eu aprecio muito em qualquer tipo de diversão em mídia.

No Tron a mensagem é explicita, como no remake/continação  é de se surpreender. Não sei por qual motivo, mas a Disney tem investido nesse tipo de mensagens em filme desde o lançamento do “Leão, a feiticeira e o guarda-roupa”, quando a Associação Cristã dos Estados Unidos perdoou a Disney por todo um legado de paganismo.

Tron não é só puro divertimento em 3D, até porque achei o 3D horrível, sinceramente não tem nenhuma graça na tecnologia em três dimensões do filme, mas passa teologia pura quando coloca o roteiro sobre a perspectiva mais utilizada na história da humanidade: “A corrupção do bem”. Conhecido muito bem por nós, mero mortais, no livro de Genesis das Sagradas Escrituras.

O homem, confesso que não esperava isso da máquina, se corrompeu já nos primeiros anos de existência. Foi sugado pela poder e acabou se rendendo ao pecado. O ambiente virtual criado em Tron sugeriu no inicio um Sistema Operacional (OS) perfeito que foi criado por Flynn com a ajuda de suas duas criações, feitas a sua imagem e semelhança, Tron e Clu. Clu, como nas sagradas escrituras vê o poder da criação e se julga melhor que o próprio criador, gerando a desordem em um ambiente que inicialmente seria maravilhoso.

Sem mencionar mais quesitos teológicos, porque seria desnecessário e repetitivo para quem assistiu – fica aí uma dica para quem não viu: ir ao cinema – achei super válido a questão abordada de forma tão racional, produtiva e “genesisticamente” falando.

Acho válido não só por me identificar com um assunto que sou tão aspirante, mas também porque as histórias contadas pelos pais nas cabeceiras das camas sobre a “criação do mal” às crianças são transformadas em apelo sensorial quando projetadas nas telas brancas do cinema. A sugestão de entendimento é um apelo maior que qualquer outro, que talvez não é tema de discussão nas rodas dos jovens, mas permanece no mistério da fé e na mente de qualquer pessoa.

PT não quer mais uma revolução socialista, por isso estou fora

Com a proximidade das eleições gerais, vamos lá, vou tentar responder aqui algumas questões sobre a minha mudança de posicionamento em relação à representação presidencial no Brasil.

Sempre fui petista, e concordo com o partido sobre a necessidade, por exemplo, das bolsas famílias e escolas que o PT prega. Visto que você leitor seja inteligente e sabe que não foi o PT que começou com esse tipo de política no Brasil, ótimo. Pois sempre é essa indagação que as pessoas fazem para mim, quando digo que sou aspirante a política assistencialista. E que foi o governo do FHC que iniciou esse tipo de pensamento no Brasil. O Lula só pegou uma coisa que estava jogada e arrumou, juntando o apoio financeiro com os cursos profissionalizantes.

Tirando os escândalos, que sim, acontecem em todos as esferas da política, eu sempre admirei muito o governo Lulista. Que valorizou o povo de um modo geral. O governo do Lula não deu somente o peixe, mas ensinou as pessoas a pescarem. Com leis de incentivos, redução na taxa de imposto, criação de cursos técnicos e faculdades. Daí você que é de Foz do Iguaçu me pergunta, onde está tudo isso? Eu respondo: Universidade Tecnológica Federal do Paraná, instalada nos últimos quatro anos em Foz e a mais recém inauguração da Unila na cidade, tudo isso são obras do governo Lula.

Claro que sou também bem crítico do sistema. Sei que o opressionismo do PT no governo tem levado uma autoridade autoritária e um inchaço do poder executivo. E que os oito anos de Lula fez uma multiplicação de cargos da presidência. Em Foz do Iguaçu temos um exemplo muito bem esclarecido dessa situação na Binacional Itaipu.

Voltando ao assunto principal, Lula precisava fazer sim, seu sucessor, neste caso uma sucessora. E a está fazendo. Dilma aparece nas frentes e em algumas pesquisas ganha já no primeiro turno. No começo eu era Dilma, assim como muitos que mesmo sem conhecê-la votaria para dar continuidade nos processos já desenvolvidos pelo Lula.

Mas a história foi mudando conforme foi passando os debates e campanha. Pude me aprofundar melhor dos trabalhos da Dilma e do próprio partido. E encontrei uma mulher sem personalidade e vivência de ideologia.

Não gosto de colocar religião e política no mesmo patamar, mas os constantes ataques de Dilma e do próprio PT a igreja católica tem me irritado. O despreparo de Dilma em frente das câmeras falando sobre a política externa, por exemplo, me deixa encabulado.

Tenho observado ainda um discurso um tanto preparado, para não dizer decorado. E é aquela velha história que minha mãe me ensinou na quarta série, quem decora não aprende.

Problemas – Sendo cético e não colocando a culpa no período eleitoral, houve um excesso de grandes escândalos nas últimas semanas, vai vendo: A população pode ver os mensaleiros, todos empregados e felizes sem data para julgamento, os recentes escândalos da Receita Federal e o surto da mãe Erenice e seus filhos. Arnaldo Jabor já dizia, “Tudo está bem escondidinho debaixo do tapete, graças ao governo bom de Ibope”. Se a justiça tem que funcionar para o pobre por qual motivo não funciona para os políticos ricos? Esse é o grande problema do PT. Como um grande clã, ele se fechou em si mesmo. Não acho isso bom, nem todo o brasileiro.

Se continuar como está? O governo roubando e sem julgamento, mas o povo achando tudo lindo só porque o governo é sorridente. Isso é bonito? Eu não acho.

Por fim, fui buscar um candidato que tenha um plano de governo. Achei. E não foi a Dilma Roussef.